Comprador do Banespa adquire "tesouro" em arte

Manabu Mabe recepciona com Sonho de Princesa, de 1967. Logo adiante estão Tomie Ohtake e seu Caminho de Esperança, de 1969, e Di Cavalcanti, apresentando o Mulata na Cadeira, de 1970. Esses autores, expostos permanentemente no Museu do Banespa, localizado na região central de São Paulo, são apenas alguns dos maiores pintores brasileiros deste século, responsáveis pelos 937 quadros pertencentes ao acervo do banco que foi vendido hoje à iniciativa privada.Reunidos, todos os quadros, esculturas, fotografias, tapetes (orientais e nacionais), objetos, móveis, cédulas e moedas antigas do acervo do Banespa somam cerca de 2.600 peças cujo valor total é difícil de ser avaliado. Suas obras valem milhões de reais, mas, por serem tombadas pelo patrimônio histórico, não poderão ser vendidas pelo comprador do banco, de acordo com o gerente da Biblioteca e do Museu do Banespa, José Marcos Longhine.Somente entre as obras de óleo sobre tela preferidas de Luiz Gonzaga Tessarine, coordenador do museu, estão autores como Cândido Portinari (Cavalo, casebre e paisagem, de 1959), Roberto Burle Marx (Composição, 1989), Aldo Bonadei, (Casario, de 1968), Chico da Silva (obra sem título de 1969) Aldemir Martins, (Gato, de 1971), Mario Gruber (Menino com Máscara, de 1966), Tikashi Fukushima (Bege e marrom, s/d), Kazuo Wakabayashi ( obra sem título, de 1969), Iberê Camargo (Mulher Sentada, de 1991), Tran Tho (La Danzer du village, s/d).Há ainda várias outras telas, gravuras e esculturas de destaque, como a obra Carnaval (1977), de Manezinho Araújo, Galo (1971), de Aldemir Martins, Três Gerações (1985), de Darcy Penteado, obra sem título, s/d, de Cláudio José Tozzi, Toledo, Flor Espalda (1978), de Maria Bonomi, Torso Bailarino (1929), de Richard Hideaki e Mulher Guerreira, de Francisco Stockinger, s/d.Biblioteca - A coordenadora da Biblioteca do Banespa, Bárbara Serafim Soares, afirmou que os mais importantes dos cerca de 36 mil livros pertencentes ao banco custam, "no máximo R$ 300 cada um". Segundo ela, as obras valem mais por seu conteúdo do que pelo valor de mercado.Bárbara disse que, em recente avaliação, a Associação Brasileira de Encadernação e Restauração (ABER) encontrou 2 obras raras (Comentaruis ad Pandectus - Tomus Primus e Comentaruis et Pandectus - Tomus Secundus, de autoria de Johannis Voet JC), que são da área de direito e datam de 1775. Segundo ela, outros 1.057 livros das áreas de direito e economia foram considerados "especiais" pelo chefe do departamento jurídico do Banespa, Silvanio Covas.A coordenadora declarou que foram consideradas especiais ou raras as primeiras ou segundas edições de livros escritos por juristas renomados e edições do século 17 e 18. As obras da biblioteca são, em sua maioria, das áreas de economia, direito, informática, arquitetura e artes.

Agencia Estado,

20 de novembro de 2000 | 16h11

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