Foto: Robyn BECK / AFP
Ennio Morricone morreu aos 91 anos. Foto: Robyn BECK / AFP

Compositor italiano Ennio Morricone morre aos 91 anos

Responsável pela composição de quase 500 trilhas sonoras, arranjador e maestro italiano ganhou, em 2016, o Oscar pela trilha sonora do filme 'Os Oito Odiados', de Quentin Tarantino

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2020 | 05h20

O famoso compositor italiano Ennio Morricone, um dos músicos mais admirados e premiados do mundo do cinema, morreu em Roma aos 91 anos, segundo informou a imprensa italiana nesta segunda-feira, 6, citando parentes. Morricone foi hospitalizado em uma clínica na capital italiana após sofrer uma queda que fraturou seu fêmur, segundo as mesmas fontes.

Ennio Morricone morreu "em 6 de julho, consolado pela fé", disse o advogado e amigo da família Giorgio Assuma em comunicado, citado pela imprensa. Ele permaneceu "totalmente lúcido e com grande dignidade até o último momento", acrescentou o comunicado.

O prolífico músico compôs quase 500 trilhas sonoras, incluindo temas inesquecíveis como o assovio de Três Homens em Conflito (1966), ou o magnífico solo de oboé de A Missão (1986). Tem o mérito de ser o autor de melodias que milhões de pessoas, cinéfilas ou não, conhecem ou sabem cantarolar.

Em 2016, venceu o Oscar pela trilha sonora do filme Os Oito Odiados, de Quentin Tarantino. Em 2007, já havia recebido um Oscar honorário por sua abundante e elogiada carreira musical.

Há apenas alguns dias, Morricone foi anunciado o vencedor, ao lado do também compositor John Williams, com o prêmio Princesa das Astúrias das Artes na Espanha.

"Sempre nos recordaremos, e com um reconhecimento infinito do gênio artístico, do maestro Ennio Morricone. Nos fez sonhar, nos emocionou e fez pensar, escrevendo notas inesquecíveis que ficarão para sempre na história da música e do cinema", escreveu no Twitter o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte.

"Adeus mestre e obrigado pelas emoções que nos presenteou", escreveu, também no Twitter, ministro italiano da Saúde, Roberto Speranza.

Morricone nasceu em 10 de dezembro de 1928 em Roma e começou a compor aos seis anos. Aos 10, foi matriculado em um curso de trompete da prestigiosa Academia Nacional Santa Cecília de Roma.

Também estudou composição, orquestra e órgão. Em 1961, aos 33 anos, estreou no cinema com a música de O Fascista, de Luciano Salce.

Morricone ganhou fama em meados dos anos 1960, com as trilhas sonoras de westerns como Por um Punhado de Dólares e Três Homens em Conflito.

Sua versatilidade permitiu que trabalhasse na música de filmes premiados e muito diferentes, incluindo A Missão (1986), Cinema Paradiso (1988), ou Homem das Estrelas (1995).

"A música de A Missão nasceu de uma obrigação. Tinha que escrever um solo oboé, se passava na América do Sul no século 16, e tinha a obrigação de respeitar o tipo de música do período. Ao mesmo tempo, eu tinha que compor uma música que também representasse os índios da região. Todas as obrigações me prendiam (...) Mas também fizeram com que saísse algo claro", recordou o compositor em uma entrevista à AFP em 2017.

Além das duas estatuetas do Oscar, Morricone também foi premiado com Globos de Ouro e Grammy, compôs óperas e canções para artistas pop, em uma prolongada carreira que encerrou de maneira brilhante em 2018 com uma turnê mundial de despedida.

"O fato de eu ter conseguido compor músicas com total liberdade, e tão diversas, foi possível não apenas porque eu tinha técnica, mas também porque era necessário que eu mudasse a cada vez minha maneira de compor. O filme exigia. Acostumei, cada vez era diferente", explicou "Il Maestro" à AFP.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Ennio Morricone gostava de trabalhar os sons da realidade, os que se ouvem todos os dias

Músico falou em 2018 sobre suas principais composições, a educação musical e o trabalho com o cineasta Sergio Leone

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2020 | 08h33

Ele tinha 91 anos e estava em plena atividade. O genial compositor italiano Ennio Morricone, que revolucionou a trilha sonora do cinema, concedeu uma entrevista à AFP em novembro de 2018 sobre sua educação artística e a liberdade de compor, antes de uma apresentação em Paris que era parte de sua turnê de despedida do público.

"Il Maestro", como exigia ser chamado pelos jornalistas durante as entrevistas, morreu em Roma nesta segunda-feira aos 91 anos.

Há pouco tempo começou a dar concertos. O que isso significa para você?

Foi preciso que pedissem. Até então, eu não tinha percebido a necessidade do público em estabelecer contato comigo, com o desejo de descobrir meu trabalho ao vivo. Quis saber como seria e gostei.

Você apenas dirige suas próprias composições. Você nunca quis interpretar as dos outros?

Não, nunca me interessei. Não as conheço tão bem como as minhas, embora as admire.

Como se desenvolveu sua educação musical?

Me serviu um exemplo: quando eu estava no conservatório, conhecia um estudante que admirava, até o limite da obsessão, a obra de Giovanni Pierluigi de Palestrina, um compositor do Renascimento. Essa paixão lhe impediu avançar em sua própria formação, crescer como compositor. Quis evitar isso. Estudei as correntes clássicas, da Idade Média aos contemporâneos. Claro que eu gostei de muitas coisas, mas me abstive de me apaixonar. De modo que ninguém me influenciou de forma particular.

Quando criança, você frequentava a mesma escola que Sergio Leone. Como vocês voltaram a conviver no cinema?

Estivemos na mesma classe durante um ano, depois nos perdemos de vista durante muitos anos. Desconhecia no que ele havia se tornado. Ele viu meu nome nos créditos de um filme que havia composto a música. Veio a minha casa e me falou de seu projeto. Se tratava de Por um Punhado de Dólares.

Como vocês trabalhavam juntos?

Falávamos com muita antecipação. Mas embora Leone me explicasse como seria seu filme, ele não me dava ordens. Era eu que o explicava o que tinha em mente, segundo o que ele me descrevia. Raras foram as vezes que ele me disse "não, eu preferiria isso, e não aquilo". Depois dessa primeira trilha sonora, ele me pediu para fazer algo similar para Por uns Dólares a Mais. Aceitei. Mas, para o terceiro filme, Três Homens em Conflito, me opus. Disse a ele: "Não quero que a gente trabalhe assim. Não quero me repetir, me deixe fazer o que quiser". E acho que fiz bem.

Com base em sua música, que você mostrava antes das filmagens, Leone às vezes reescrevia algumas cenas...

Aconteceu várias vezes. Para a sequência de abertura de Era uma vez no Oeste, em que o homem da gaita (Charles Bronson) é esperado por aqueles que querem eliminá-lo, Leone modificou seus planos e a localização da câmera em função da minha música.

Você inovava muito para a época, incluindo sons inabituais nas músicas de filmes, como assobios, sinos e guitarra elétrica. Você tinha liberdade total?

Não era tão difícil convencer os diretores. Sabiam que eu não me interessava em criar composições tradicionais, por isso também me procuravam. Eu gostava de trabalhar o som da realidade, o que ouvimos todos os dias. Esses ruídos que nos cercam têm sua própria música e poderiam compor outra comigo.

Tudo o que sabemos sobre:
Ennio Morricone

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Ennio Morricone deixou pronto seu próprio obituário para 'não dar trabalho'

No texto, o compositor e maestro que morreu aos 91 anos reafirma seu amor pela mulher, Maria: 'A ela, o mais doloroso adeus'

Redação, Ansa

06 de julho de 2020 | 10h25

Morto aos 91 anos idade, em decorrência de uma queda, o maestro e compositor italiano Ennio Morricone deixou um obituário escrito de próprio punho e no qual explica a razão de ter determinado que seu funeral seja privado.

"Não quero dar trabalho", escreveu o músico vencedor de dois prêmios no Oscar, um pelo conjunto de sua obra, em 2007, e outro pela trilha sonora original de Os Oito Odiados, de Quentin Tarantino, em 2016.

A mensagem foi divulgada pelo amigo e advogado de Morricone, Giorgio Assumma, e será publicada nos principais jornais italianos nesta terça-feira, 7.

Confira abaixo o obituário deixado pelo maestro

Ennio Morricone está morto. Anuncio assim a todos os amigos que estiveram próximos e àqueles um pouco distantes, a quem saúdo com grande afeto. É impossível nomear todos, mas uma recordação particular vai para Peppuccio e Roberta, amigos fraternos muito presentes nos últimos anos de nossa vida.

Há apenas uma razão que me faz cumprimentar todos dessa maneira e ter um funeral de forma privada: não quero dar trabalho. Saúdo com tanto afeto Ines, Laura, Sara, Enzo, Norbert, por terem compartilhado comigo e minha família grande parte da minha vida. Quero recordar com amor minhas irmãs Adriana, Maria, Franca e seus parentes e dizer o quanto as quis bem.

Uma saudação plena, intensa e profunda a meus filhos Marco, Alessandra, Andrea, Giovanni, a minha nora Monica e a meus netos Francesca, Valentina, Francesco e Luca. Espero que saibam o quanto os amei.

Por último, Maria (mas não a última). A ela, renovo o amor extraordinário que nos manteve juntos e o qual lamento abandonar. A ela, o mais doloroso adeus. 

 

Tudo o que sabemos sobre:
Ennio Morriconecinemamúsica

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Análise: Trilha sonora de Morricone se integrava à linguagem da obra e dela se tornava inseparável

Gênio da música e do cinema, o artista italiano de 'Por um Punhado de Dólares' morreu aos 91 anos

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2020 | 10h38

No filme Desenterrando Sad Hill (Netflix), Ennio Morricone dá longa entrevista contando como compôs a trilha de Três Homens em Conflito (1966). Seu problema era não repetir o que já havia feito nos dois módulos anteriores da trilogia de Sergio LeonePor um Punhado de Dólares (1964) e Por Uns Dólares a Mais (1965).

Não queria perder o espírito da coisa e nem ser redundante. Sua saída foi compor uma célula musical simples, de quatro notas, que sublinha de forma perfeita a saga dos pistoleiros em busca do tesouro enterrado no cemitério. Reveja essas sequências e tente imaginá-las sem a música. Desaparecem. Perdem sua dinâmica, magia e eficácia. Uma trilha sonora de gênio é assim – ela não se limita a ilustrar as imagens, mas se integra à linguagem da obra e dela se torna inseparável.

É possível que as trilhas sonoras compostas por Morricone para os western spaghetti de Leone estejam entre as mais conhecidas de sua obra. No entanto, tão imenso é seu legado para o cinema, que até essa afirmação é duvidosa. Leone, que morreu ontem aos 91 anos, trabalhou logo a seguir numa obra-prima do cinema político como A Batalha de Argel (1966). Fez a música de Teorema (1968) e Decameron (1971), de Pier Paolo Pasolini, e a de A Classe Operária vai ao Paraíso (1971), de Elio Petri. No mesmo ano (1971), musicou o engajado Sacco e Vanzetti, de Giuliano Montaldo, e, em 1976, o épico revolucionário 1900, de Bernardo Bertolucci.

Sim, voltou a trabalhar com Leone em Era uma Vez na América (1984) e por certo estaria nos créditos de O Cerco de Stalingrado, grande ambição artística de Sergio Leone, caso o diretor não tivesse morrido antes de conseguir realizar o que acreditava seria sua obra-prima.

A música de Morricone podia ser operística como as dos western spaghetti ou emocionante, como a de Cinema Paradiso (1989), de Giuseppe Tornatore. Ou ideal para sublinhar intrincadas cenas de ação como as de Os Intocáveis (1987), de Brian de Palma, ou as de Busca Frenética (1987), de Roman Polanski. Ou cômica e irônica com em A Gaiola das Loucas (1978).

Esse talento incrível e versátil trouxe até o presente uma carreira iniciada lá em 1960, com O Fascista, de Luciano Salce, e fez com que Quentin Tarantino o escalasse para musicar Os Oito Odiados (2015), trabalho pelo qual faturou um Oscar. São mais de 500 músicas, compostas para filmes, TV e séries. Pelo volume, uma obra difícil de enumerar. Mas muito fácil de reconhecer, pois Morricone, assim como os dois outros grandes maestros italianos – Nino Rota e Nicola Piovani –, é dono de um estilo muito particular. Uma assinatura, por assim dizer. E com firma reconhecida.

Ennio Morricone tinha perfeita consciência da qualidade do seu trabalho. Tanto assim que, enquanto pôde, apresentou sua obra em concertos públicos. Ele mesmo regia a orquestra. Justificava-se: “No cinema, as pessoas não prestam tanta atenção à música. Estão ocupadas com a ação, com a história, com os atores e os diálogos. Já nos concertos, podem ouvir a minha música, e apenas ela”.

É verdade. Os concertos de Morricone eram antológicos, como um que este crítico teve oportunidade de assistir, em 2011, na Praça San Marcos, em Veneza. Acontece que suas músicas estavam tão ligadas ao cinema que, ao ouvi-las, era impossível não lembrar das cenas que elas compunham na tela grande. Na emoção, música e imagem se fundem. 

Tudo o que sabemos sobre:
Ennio MorriconeSergio Leone

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Conheça as 10 trilhas sonoras mais bonitas de Ennio Morricone

Em seus quase 70 anos de carreira, foram mais de 500 músicas criadas para filmes no cinema, programas de televisão e de rádio

ANSA, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2020 | 12h27

É quase impossível fazer uma lista das melhores trilhas sonoras criadas pelo maestro italiano Ennio Morricone, que morreu hoje, aos 91 anos. Em seus quase 70 anos de carreira, foram mais de 500 músicas criadas para filmes no cinema, programas de televisão e de rádio.

Mas, selecionamos as 10 mais importantes - e mais belas - que fazem parte do imaginário coletivo e possuem uma herança que não é possível datar:

Era uma Vez na América (1984)

Com direção de Sergio Leone, as músicas de Morricone são oníricas e acompanham na tela as imagens da recordação. Uma partitura que nunca perderá a sua "beleza mística", em uma das composições mais desafiadoras, complexas e importantes de sua carreira.

 

Cinema Paradiso (1988)

Com uma trilha sonora inesquecível, que ajudou Giuseppe Tornatore a conquistar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, a criação do italiano é repleta de delicadeza e usa a nostalgia. É a antítese entre os tempos vividos na pureza da infância e a consciência da idade adulta. A música é uma espécie de abraço quente, que envolve o espectador em uma melodia que mais parece uma poesia.

 

Por um Punhado de Dólares (1964)

O assovio por excelência se torna inconfundível, icônico e tão célebre como a obra de Sergio Leone. A capacidade de saber trabalhar sem orquestra, com pouco dinheiro, transformando um assovio, um trompete e um tiro de revólver na síntese mais formidável do cinema de faroeste. Um tema que entrou para a história e que, no início da carreira, foi assinado com o pseudônimo de Dan Savio.

 

Os Intocáveis (1987)

Ainda na atmosfera gângster dos Estados Unidos na época do proibicionismo, dessa vez foi Brian De Palma a confiar sua obra a Morricone. Uma trilha sonora que vai do suspense tradicional para o jazz, fazendo com que o público seja transportado para uma atmosfera tenebrosa da sombria Chicago dos anos 1930.

 

Quando Explode a Vingança (1971)

Aqui aparece toda a arte do maestro italiano: um comovente tema lírico que se apoia no som do piano do norte-americano Burt Bacharach.

 

1900 (1976)

Clarinetes que contam histórias: sejam elas de amor, de guerra, de amizades ou de contrastes e que depois explodem no caos de uma orquestra. Tonalidades que conseguem mostrar através do som a odisseia e a mudança de uma época.

 

Os Oito Odiados (2015)

Primeiro Oscar depois de cinco derrotas no mais famoso prêmio cinematográfico do mundo. Chamado por Quentin Tarantino, após fazer a trilha de outro filme do diretor, Django Livre, é repleto de sons qualificados. Oboé e piano, acompanhados por sons de uma caixa de música, fundem-se em um ar lúgubre para acompanhar a ansiedade, o terror e os calafrios criados pelo diretor. Essa foi uma volta de Morricone ao gênero faroeste depois de 35 anos, e mistura - e ao mesmo tempo se opõe - a modernidade de Tarantino com o tom clássico das suas criações.

 

Três Homens em Conflito (1966)

Talvez a trilha mais célebre de Morricone para o último capítulo da "trilogia do dólar". Voltam os inconfundíveis assovios, entre trompetes que destacam as cavalgadas nas pradarias desoladas do faroeste selvagem. Daí também saiu The Ecstasy of Gold, usada nos shows da banda Metallica.

 

A Missão (1986)

Morricone deixa sua marca também nesse filme de Roland Joffé. Entre religiosos e missionários na América do Sul do século 18, o maestro liberta sua veia para concertos e sinfonias, envolvendo o filme com sua música e com uma insistência calculada.

 

Investigação sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita (1970)

Cinema de denúncia assinado por Elio Petri, possui uma outra trilha sonora inesquecível. A música de Morricone se funde com a inspiração acusatória do diretor e do protagonista Gian Maria Volontè.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Última música de Ennio Morricone homenageia vítimas de desabamento na Itália

Composição foi feita em memória dos mortos na Ponte Morandi

Redação, Ansa

06 de julho de 2020 | 12h55

A última composição deixada pelo maestro italiano Ennio Morricone, que morreu nesta segunda-feira, 6, aos 91 anos, é uma música de orquestra dedicada às 43 vítimas do desabamento da Ponte Morandi, ocorrido em agosto de 2018, em Gênova.

A composição se chama Tante Pietre a Ricordare (Muitas Pedras para Lembrar, em tradução livre) e será executada na noite anterior à inauguração da nova ponte, prevista para o fim de julho, pela Orquestra do Teatro Carlo Felice, de Gênova.

A música tem quatro minutos de duração e é a última partitura concluída pelo maestro, que é autor de inesquecíveis trilhas sonoras para o cinema e vencedor de duas estatuetas no Oscar, incluindo uma pelo conjunto de sua obra.

O músico e compositor morreu em uma clínica de Roma, capital da Itália, devido às consequências de uma queda. A família anunciou que o funeral será fechado ao público, "no respeito ao sentimento de humildade que sempre inspirou os atos de sua existência".

Trajetória

Nascido no dia 10 de novembro de 1928, em Roma, Ennio Morricone criou mais de 500 melodias para o cinema e a televisão, e suas grandes paixões eram a música sinfônica e a experimentação.

Filho de trompetista e formado no Conservatório de Santa Cecilia, uma das escolas de música mais renomadas da Itália, ele faz parte do restrito panteão dos grandes maestros da história do cinema, como confirmam a estrela na Calçada da Fama de Hollywood e os dois prêmios no Oscar: um em 2007, pelo conjunto de sua obra, e outro em 2016, pela trilha sonora original de Os Oito Odiados, de Quentin Tarantino, um de seus maiores fãs.

Além disso, foi indicado outras cinco vezes: por Cinzas no Paraíso, em 1979, A Missão, em 1987, Os Intocáveis, em 1988, Bugsy, em 1992, e Malèna, em 2001. Outros grandes trabalhos de Morricone são as trilhas originais de Por um Punhado de Dólares (1964), Cinema Paradiso (1988) e Bastardos Inglórios (2009).

Ao relatar sua grande capacidade de trabalhar com o cinema, o maestro explicou certa vez que gostava de ter liberdade. "Há diretores que pedem coisas razoáveis e, neste caso, eu os ouço. Mas, depois, coloco minha assinatura, a minha atenção criativa. Essa aceitação dos pedidos dos diretores não é passiva."

Segundo Morricone, a trilha sonora, antes de agradar ao diretor e ao público, precisava agradar a ele próprio. "Eu devo ficar contente antes do cineasta. Não posso trair minha música", dizia. O maestro italiano também conquistou três prêmios no Globo de Ouro, seis no Bafta e 10 no David di Donatello, o "Oscar" do cinema italiano. 

 

Tudo o que sabemos sobre:
Ennio Morriconecinemamúsica

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.