"Company" é um musical exigente

Para interpretar Company, musical de Stephen Sondheim, não basta apenas ter domínio de palco: é preciso uma extremada habilidade vocal. A indicação partiu do diretor Jorge Takla, que acompanhou montagens do autor americano na Broadway e comprovou os requisitos. "São musicais belíssimos, mas difíceis, que exigem muito de seus intérpretes" comenta.A exigência de versatilidade foi responsável pelas maiores dificuldades nas audiências de seleção para a peça, iniciadas neste mês, no Rio. A maioria dos candidatos não conseguiu atingir o nível de excelência exigido pelas elaboradíssimas partituras e pelo senso apurado de Cláudio Botelho, responsável pela tradução das músicas e principal ator da montagem. "Ele esperava participar desse espetáculo há muito tempo", constata Takla. "Cláudio conhece muito bem o universo musical de Sondheim."Uma das canções que Botelho já traduziu é Getting Married Today, que fazia parte do repertório de Sondheim Tonight, pocket-show estrelado por ele e por Cláudia Netto, em 1995, que celebrava a obra do compositor. Ele prepara a emoção para sua primeira interpretação da canção que encerra o espetáculo, a bela mas difícil Being Alive: foi justamente a primeira música que ouviu. O ator, quando conheceu Company, há dez anos, julgava-se jovem demais para o papel de Bob, o solteiro convicto rodeado por cinco casais que vivem as tormentas do matrimônio. Hoje, mais experiente aos 35 anos, Botelho acredita estar pronto para o personagem.O ator trabalha afinado com o diretor Charles Möeller, que inicialmente não pretendia assumir a condução do espetáculo. "Como eu não teria tempo para me dedicar ao projeto, ele acabou aceitando e, mais que isso, empolgando-se com a montagem", conta Takla. De fato, a modernidade de Company motivou Möeller, que decidiu imprimir um tom mais delirante que o adotado na montagem original.A estrutura do cenário, porém, será semelhante. Nele, os personagens conseguem se comunicar com Bob mesmo não estando em cena. Como a maioria das cenas é fruto de loucos pensamentos de Bob, Möeller quer uma ambientação mais lisérgica. Também o figurino promete ser mais crítico e colorido.A orquestração, com direção musical de André Luz Goes, será próxima da original, concebida nos anos 70, por Johnatan Tunick, que não escondia uma forte influência da bossa nova e dos acordes de Burt Bacharah.

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