Companhia de Israel dança em SP

Chega ao Brasil, para encerrar a programação da Série Antares deste ano, a principal companhia de Israel, a Batsheva Dance Company. A turnê estréia em Porto Alegre, com espetáculo único no domingo, no Teatro do Sesi, com a coreografia Deca Dance. Em São Paulo, o grupo faz apresentações nos dias 6 e 7 no Teatro Municipal.A Batsheva tem à sua frente, como diretor e coreógrafo, Ohad Naharin, um dos mais prestigiados artistas da dança contemporânea internacional. Naharin falou, de Tel-Aviv, sobre as apresentações no Brasil, sua carreira e a companhia."Estou há 20 anos na dança, dez na direção do Batsheva. Ao fazer um balanço de todo esse tempo, posso concluir que a companhia tomou grande parte da minha vida, o que dificulta a dissociação entre o grupo e eu", comenta Naharin. Para comemorar essa década de criações, o diretor compôs a coreografia Deca Dance, um mosaico com trechos de sete coreografias: Black Milk, Pasomezzo, Queens of Golub Anaphase, Sabotage Baby, Zachacha e Moshe.Síntese - Sem ficar preso a uma ordem cronológica, o coreógrafo preocupou-se com as fases mais emblemáticas da companhia. "Deca Dance é um programa especial em que busco um síntese de todas as minhas experiências. Quero deixar claro para o público as minhas intenções: fazer um trabalho que misture uma série de temas, sempre ligados à condição humana.""Também deixo um espaço aberto para que as pessoas, ao assistirem a Deca Dance, possam fazer conexões e interpretar livremente. Essa coreografia exige muito dos bailarinos e é, em alguns momentos, divertida, com um significado simples e ao mesmo tempo profundo", diz. Para Naharin, a dança deve, sempre, comunicar algo. "A dança é uma das tantas possibilidades de comunicação. Não consigo conceber uma coreografia que não esteja ligada ao seu tempo, às questões atuais."Conhecido por seu discurso pacifista com relação aos conflitos que ocorrem em Israel, Naharin não quis comentar a respeito da atual crise mundial, apenas afirmou: "Fico indignado com a violência, com a falta de interesse por soluções e pela defesa dos valores humanos." Filho de artistas, fundadores do Estado de Israel, o diretor teve teve sólida formação cultural e política.Sua obra, além de ser marcadamente comprometida com questões humanas, conta com a contribuição de sua equipe. "Tenho uma relação de profundo respeito pelos bailarinos e posso dizer que sou uma pessoa de sorte por tê-los comigo. A contribuição deles é fundamental para a criação de novos trabalhos", comenta. "Muitos estão começando, são muito jovens. Sinto-me responsável pela formação emocional, pelo desenvolvimento de cada um, mas acima de tudo, sei que podemos crescer juntos."A mesma afeição está presente no momento de compor um novo espetáculo. "Eu simplesmente adoro o que faço. Quando começo uma coreografia dedico todo o meu tempo e atenção a ela" diz. "Cada peça representa um nova experiência, algo que eu nunca vi anteriormente. Deixo a criatividade, minha e dos demais artistas, fluir.""Preocupo-me em conectar as informações colhidas entre os bailarinos. Depois passo para outra etapa, criar uma estrutura e gestos que traduzam todos os pensamentos." Naharin desenvolveu a sua maneira de compor movimentos. "Passei 20 anos tendo o movimento como meu foco principal. Pesquisei e desenvolvi gestos; busquei uma forma mais elaborada e até mesmo mais sofisticada de compor uma coreografia, que aplico na Batsheva."História - Naharin busca expandir os limites da dança e transformou a Batsheva em um ponto de encontro para expressões artísticas. Artistas de diversas tendências recebem convites para contribuírem em novos trabalhos, como compositores, cineastas, cenógrafos e figurinistas. Esse diálogo também ocorre entre coreógrafos de peso como Jiri Kylián e William Forsythe.Essa linha foi tomada depois que Naharin assimiu a direção artística da companhia, o que foi considerado uma nova fase dentro do grupo. Depois dos anos 90 o grupo conquistou seu espaço e respeito no cenário internacional.Seguindo os passos de Kylián, criou o Batsheva Ensemble, uma companhia formada por jovens intérpretes. "Esses jovens contribuem com idéias e estão em uma companhia com identidade própria, independente", conta o criador. "O Ensemble não deixa de ser uma escola para esses bailarinos."A Batsheva foi fundada em 1964 pela baronesa de Rothschild. Nascida na França, ainda jovem foi estudar dança em Nova York, onde se encantou com a dança moderna de Martha Graham. Ao chegar a Israel resolveu montar a companhia e contou com Martha como sua primeira diretora artística. Atualmente, o grupo é mantido pelo Ministério da Cultura de Israel.Serviço - Batsheva Dance Company. Dias 6 e 7 de novembro às 21 horas. De R$ 20,00 a R$ 120,00. Teatro Municipal. Praça Ramos de Azevedo, s/n.º, em são Paulo, tel. (11) 222-8698. Patrocínio: Nokia, Phebo e Ministério da Cultura.

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