Como viver longe: ironia ao tema da 27ª Bienal de SP

Enquanto a 27ª Bienal aposta numa seleção brasileira enxuta e jovem, o circuito paralelo complementa de maneira bastante ampla e diversificada a programação de artistas nacionais, dando aos visitantes a possibilidade de ter uma idéia melhor do que se produziu de arte no País, desde meados da década de 50 até nossos dias. É necessário fôlego para quem quiser percorrer a maioria das atrações nacionais colocadas à disposição do público nesse período. E os curadores estrangeiros que visitarem o evento terão à disposição um leque amplo, que vai do modernismo tardio de um Bonadei à irreverência da Casa da Xiclet, que ironiza o tema da Bienal - o tema ?Como Viver junto? foi inspirado na obra de Roland Barthes - ao propor um ciclo de mostras intituladas "Como Viver longe" e que deve ampliar significativamente o espaço para a jovem produção nacional que ainda não encontrou seu caminho no circuito oficial. O primeiro bloco será dedicado a artistas do Norte e Nordeste.Até Cildo Meireles, principal ausência da Bienal, não estará de fora da programação paulistana. Tendo desistido de participar da grande mostra por discordar da decisão (depois revogada) de manter Edemar Cid Ferreira no conselho da instituição, ele inaugura sábado na Estação Pinacoteca a exposição "Babel", composta por três obras exibidas por ele há alguns meses no Museu do Vale do Rio Doce. Uma boa oportunidade de ver a obra daquele que é considerado um dos mais destacados artistas brasileiros da atualidade.Entre os pot-pourris propostos isoladamente ou em conjunto pelas galerias, os mergulhos mais densos na obra de alguns artistas seminais como Mira Schendel - que ganha fôlego na Galeria Millan Antonio -, ou as oportunidades dadas a artistas selecionados de mostrar novos trabalhos e caminhos, quem ganha é o público. A diversidade e a quantidade ajudando a confirmar o que os atores da cena contemporânea costumam apontar como grande dinamismo da produção brasileira.

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