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Como velhos conhecidos

Os cariocas do Los Hermanos mostram boa velocidade em show na cidade

PEDRO ANTUNES, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2012 | 03h09

"Vamos para cá. O Amarante fica aqui", diz uma garota de menos de 20 anos seguida por um punhado de amigos, após apontar para o lado direito do palco do Espaço das Américas, na noite de anteontem. Seis anos após anunciarem um hiato, os cariocas Los Hermanos reúnem hoje uma aura de Beatles entre sua extensa legião de fãs. Qual é seu Beatle favorito: Paul, John, George ou Ringo? E o seu hermano: Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina, Rodrigo Barba?

Juntos, eles não produzem nada desde 4, quarto disco da banda, lançado há longos sete anos, e seu público, como se pôde notar no primeiro dos quatro shows que a trupe vai mostrar em SP (quinta, ontem, 31/5 e 1.º/6), com ingressos esgotados, renovou-se. Jovens com pouco mais de duas décadas de vida eram maioria no Espaço. Barbudos de camisa xadrez, antes dominantes, eram achados aqui e ali, em pequenos grupos.

O rock e a MPB independentes devem muito aos hermanos. A voz suave de Marcelo Jeneci que saía das caixas de som antes de o show ter início era prova disso. O próprio músico começou a compor material próprio inspirado pela dupla Camelo-Amarante. Híbrido de samba, ska, rock lo-fi e sussurros de MPB, Los Hermanos criou o próprio gênero. Letras densas, músicas suaves. Tão antagônico que deu certo.

E tão certo que os 15 minutos de atraso pareciam uma eternidade. Coros chamavam a banda quando as luzes se apagaram e foram engolidos por uma histeria de dar inveja a Morrissey e Noel Gallagher, que se apresentaram recentemente no espaço. Os riffs de O Vencedor, joia pop do Ventura (2003), terceiro álbum do grupo, foram acompanhados por 8 mil vozes delirantes. Catarse com clima de nostalgia, mas ainda assim impressionante. É como encontrar aquele velho melhor amigo, companheiro de alegrias e tristezas. O tempo passou, mas quando o papo começa, tudo é como antes.

Os hits seguiam, um atrás do outro, enquanto lágrimas escorriam de rostos emocionados e as filas para comprar cerveja desapareciam. Todos se juntavam à massa para ouvir (e berrar) Retrato Pra Iaiá e Todo Carnaval Tem Seu Fim.

O ritmo alucinante é quebrado por O Vento e Morena, do quarto e mais lento álbum. Nas duas horas de show, a banda mostraram que aprendeu bem a bolar um set list. Apesar das poucas variações em relação às sete apresentações anteriores da turnê, eles agitam e descansam, aceleram e freiam, mantendo o show numa boa média de velocidade. E, veja só, teve até uma inédita, a malemolente Um Milhão, de Rodrigo Amarante e deve integrar seu disco solo, programado para este ano.

Aprenderam, também, que um pouco de ensaio não faz mal a ninguém. O que se viu na quinta em nada lembrou o que aconteceu em São Paulo no Just a Fest, em 2009, e no SWU, no ano seguinte. Paradinhas, solos, tudo ocorria mais azeitado do que antes. E o público, claro, percebeu a entrega. "Está muito lindo isso aí no fundo", disse Camelo. "Obrigado. De Verdade."

A banda estava animada. Enquanto Barba fazia sua parte em manter todos no ritmo e Gabriel Bubu, um hermano nas últimas turnês do grupo, completava a cozinha, Camelo e Amarante se divertiam no palco. O primeiro, dançava e pulava num pé só e Amarante fazia suas caras e bocas habituais.

O som do espaço, infelizmente, fez feio. A voz de ambos era abafada pelo coro de 8 mil com mais frequência do que o normal e uma microfonia estragou o momento introspectivo de Amarante, em Do Sétimo Andar.

O primeiro disco, mais punk e ska do que os outros, ganhou destaque com Azedume, Descoberta e, no bis, com Tenha Dó, Quem Sabe, Pierrot e até Anna Julia. Tudo com direito a Amarante descendo do palco e perambulando pelo fosso. Sorte dos Amarantemaníacos que acertaram o lado em que ele estaria.

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