Como no filme, Casablanca tem um Rick's Café na vida real

O ano é 1942. O mundo está emguerra, e Hollywood faz sua parte para ajudar os Aliados,criando filmes como "Casablanca", no qual Humphrey Bogart eIngrid Bergman imortalizaram uma canção, um romance e um bar. Estamos em 2008. Um príncipe está sentado diante de umamesa do Rick's Café, envolto em sombras e luz amarelada. Umex-oficial militar comemora seu aniversário com uma dezena deconvidados. A música de um piano chega às varandas, e não faltachampanhe gelada. Mas não imagine que Bogart vá descer as escadas, ou queBergman vá pedir ao pianista que toque "As Time Goes By". "Achei que Casablanca estava perdendo por não ter umRick's", diz Kathy Kriger, 61 anos, ex-diplomata americana quecapturou o ambiente do "Rick's Cafe Americain" do filme econverteu uma mansão dos anos 1930 à beira-mar em marco deCasablanca. "Mas 95 por cento das pessoas no Marrocos nunca assistiramou ouviram falar no filme", disse ela. Dois taxistas indagados não tinham ouvido falar do Rick'sCafe e não entenderam sua relação com o filme. Todos os dias,porém, do meio-dia até a hora de fechamento, o bar éfrequentado por clientes tão internacionais quanto o elenco dofilme "Casablanca". Numa noite de domingo, quando o bar apresenta jazz ao vivo,havia marroquinos, turistas americanos, europeus, asiáticos epessoas locais e internacionais portando laptops e pastas detrabalho. "Como no filme, o restaurante em si está se tornandosecundário. O que acontece em seu interior é o que realmenteinteressa a todo mundo", disse Kriger, que -- como fazia Rickno filme -- vive no andar superior da casa e fiscaliza tudopessoalmente. "Casablanca" estreou em Nova York em 26 de novembro de1942, semanas após o desembarque das tropas americanas no entãoMarrocos francês, perto de Casablanca, na costa Atlântica. O filme mostrou a cidade como reduto norte-africano derefugiados, pessoas que trabalhavam no mercado negro, membrosda resistência clandestina aos nazistas e espiões, muitos dosquais frequentavam o restaurante de Rick (Bogart). Ali, elesescapavam do mundo, viviam seus dramas pessoais, jogavam etomavam champanhe. Hoje a maior cidade do Marrocos é uma capital de negócios eponto de encontro internacional, que abriga um dos maioresportos não naturais do mundo. O Rick's Café vai comemorar seu quarto aniversário embreve. "O restaurante é um sucesso", diz Kriger, natural dePortland, Oregon, cujo trabalho com o Serviço de ComércioExterior do Departamento de Estado dos EUA a levou a Casablancaem 1988. No final de 2002 ela comprou por cerca de 180 mil dólares acasa que abriga o Rick's Café. "O imóvel estava em péssimaestado, mas percebi por seus arcos que ficaria magnífico",contou.

TONI REINHOLD, REUTERS

29 de fevereiro de 2008 | 12h46

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