Rose Wong / The New York Times
Rose Wong / The New York Times

Como lidar com suas expectativas para o ano-novo

Um ano-novo que pode se parecer com o velho não é uma perspectiva muito empolgante. Veja como se preparar emocionalmente para essa falta de entusiasmo

Courtney Rubin, The New York Times

01 de janeiro de 2021 | 05h00

A véspera de ano-novo se aproxima rapidamente e é finalmente o momento de deixar as misérias de 2020 para trás. Mas, para muitas pessoas, parece que pouca coisa vai mudar, a não ser o ano do calendário. E nem há uma outra data com que contar. Se você está se perguntando como pode se preparar emocionalmente para os meses com poucas mudanças que estão à frente – e talvez encontrar algum prazer no futuro próximo – , aí vão alguns conselhos.

Planejar pequenos deleites. Se você é o tipo de pessoa que se delicia em criar uma planilha no dia primeiro de janeiro e traçar um plano para o ano que chega, diminua sua lista. Claro que ainda pode almejar pequenas coisas, disse Bethany Teachman, professora de psicologia da universidade de Virgínia. Como muitos dos planos costumeiros da sua família foram anulados – como ocorreu com todo mundo –, cada pessoa escolhe uma atividade. Por exemplo: a pedido da sua filha mais velha, uma fã do reality The Great British Baking Show, uma família decidiu “comprar um monte de ingredientes para fazer algo realmente complicado que pode dar muito errado”, diz a professora. Planeje “coisas que irão propiciar alegria” o mais frequentemente possível nos próximos meses.

Definir o que é importante. Com meses pela frente ainda com restrições, a pandemia parece uma punição interminável. Embora ficar em casa e não viajar não seja uma prisão de fato, há algo que podemos aprender com os presos que se adaptam melhor às longas detenções. Eles definem (ou redefinem) o que é importante, diz Mitch Abrams, psicólogo que dirige o departamento de prestação de serviços de saúde mental para as prisões estaduais de Nova Jersey.

Com frequência, Adams propõe aos seus pacientes uma série de perguntas, como: o que e quem é mais importante para você? O que desejaria deixar como legado? E o que você está disposto a fazer para tornar sua realidade a melhor possível nestas circunstâncias? E esta: “somos seres sociais. Às vezes as circunstâncias tornam mais difícil criar, fomentar e nutrir relacionamentos. Como consegue nutrir sua relação consigo mesmo e, em consequência, a sua relação com outras pessoas?”.

Abrams diz que o fato de trabalhar nas prisões por 21 anos o ensinou duas coisas. A primeira é que o ser humano é incrivelmente resiliente e adaptável, a segunda é que a felicidade vem de dentro. “Quanto mais você aprecia aquilo que tem, melhor será para você”, diz Adams. “Não me refiro a coisas materiais. Pode ser sua sanidade, ou sua saúde”.

Foco no que acontece no momento. A psicologia que trata dos esportes de resistência nos diz que o corpo é capaz de muito mais do que o cérebro acredita. (Se alguém tivesse dito em março quanto tempo essa pandemia iria durar, você acharia que conseguiria enfrentá-la?). Portanto, é importante colocar o foco no momento e não no contexto geral.

A ansiedade surge quando você se fixa no futuro, mas “se mantiver sua energia no momento presente e não ficar contemplando os muitos quilômetros a percorrer à frente, isto facilita as coisas às vezes”, diz Jo Daniels, professora de psicologia clínica na universidade de Bath, Inglaterra, autora de um estudo sobre o que causa ansiedade e depressão no lockdown.

E como manter o foco no momento? Há todo tipo de exercícios de conscientização, mas um deles é listar cinco coisas pelas quais você se sente grato, por pequenas que sejam – sim, uma xícara de café quente é importante. Quando está se sentindo arrasada pense apenas no que necessita fazer para passar a próxima hora ou o dia seguinte – mas não a próxima semana ou o próximo mês.

Segundo o estudo da pandemia feito por Joe Daniels, estratégias para enfrentá-la que são negativas – como comer ou beber demais e repetidamente – têm um forte impacto nos níveis de ansiedade e estresse das pessoas. “A mensagem é: tente fazer coisas boas, e decididamente não faça coisas ruins”, diz ela. Ninguém está sugerindo para uma pessoa pôr fim ao seu coquetel no fim do dia ou o bolo da tarde. Os problemas surgem quando você faz isso repetidamente para mudar seu estado de ânimo – e depois se sente culpada, diz a professora.

Controle-se. Se está se sentindo refém da pandemia, bem, é porque ela tem algo em comum com a sensação de estar em cativeiro. Ela representa um destino fundamentalmente incerto, diz Emma Kavanagh, psicóloga do País de Gales que dá aulas sobre a psicologia no âmbito da negociação de reféns. As pessoas que mentalmente se saem melhor em situações delicadas, como um sequestro, com frequência procuram ter algum controle sobre o ambiente em torno, seja decidindo que “hoje vou dar cem passos dentro da minha cela”, ou “farei 50 flexões”.

“Ter alguma coisa que podemos decidir fazer e colocar em prática ajuda a restaurar o controle da situação”, escreveu Kavanagh em um e-mail. O exercício é uma boa opção porque ele aumenta a endorfina, mas a sua atividade não precisa ser algo que o faça suar. Pode ser alguma coisa que a faça se sentir no controle da sua própria experiência diária, seja algo rotineiro ou um pequeno ritual diário. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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