Como funcionam as coisas, a meta maior desse investigador

Análise: Gerson de Oliveira

O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2012 | 02h11

O que mais me chama a atenção na obra de Bruno Munari é o seu caráter investigativo e a sua multidisciplinaridade.

Ele produziu obras de arte com várias técnicas e suportes, tendo participado por duas vezes da Bienal de Veneza. Trabalhou com comunicação visual na editora Mondadori, lecionou na Universidade de Harvard, publicou livros e atuou como designer de móveis e objetos em colaboração com importantes indústrias italianas. Destas colaborações se destacam o Habitáculo, sistema que integra cama/estante/escrivaninha, destinado a quartos de crianças e jovens, lançado pela Robots em 1971. Esse projeto recebeu o importante Prêmio Compasso d'Oro em 1979 e passou a integrar o acervo do MoMA de NY.

Quando lemos a produção teórica de Munari - Das Coisas Nascem Coisas, Design e Comunicação Visual, entre outros títulos -, percebemos a importância do estabelecimento de um método em seu processo de trabalho. Como investigador, dedicou grande parte de seu tempo a estudar como funcionam as coisas, tanto do ponto de vista construtivo quanto simbólico.

Em seu trabalho, percebemos claramente o grande conhecimento das estruturas geométricas, utilizadas de maneira a aliar rigor visual a aspectos estruturais e de construção. A articulação de elementos geométricos puros (anéis metálicos de vários diâmetros) em um tubo de tecido elástico resultou num dos momentos mais bonitos da sua produção como designer, a luminária Falkland, lançada pela Danese em 1964. Essa peça mantém sua atualidade e continua em produção até hoje.

GERSON DE OLIVEIRA É DESIGNER,

PROPRIETÁRIO DO ESTÚDIO OVO COM

A DESIGNER LUCIANA MARTINS

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