Como festejar o dia da pizza

São Paulo tem 4 mil pizzarias, incluindo apenas deliveries e restaurantes (pizza de padaria não conta). Segundo a Associação de Bares e Restaurantes Diferenciados (Abredi), apenas 200 merecem uma visita - nas demais você corre o risco de encarar, como acontece em outros lugares, recheio de ketchup. Mas conhecer as melhores entre duas centenas tem lá seus desafios.O crítico de gastronomia do JT, Saul Galvão, montou um roteiro de sugestões para você ter certeza de que está saboreando uma das melhores pizzas da cidade e, portanto, do Brasil. De preferência, hoje, que é o Dia da Pizza, invenção de um ex-secretário de turismo, em 1985.A cantina Jardim De Napoli foi fundada pelo italiano Francisco Buonerba, há 53 anos, e serve a tradicional pizza napolitana, com cornechione (borda) alto. O molho é de tomate fresco, moído e temperado com orégano e sal. As pizzas mais vendidas da cantina, informa o gerente Adolfo Scardovelli, que trabalha há 42 anos com a família de napolitanos, são a margherita (R$ 23), a calabresa (R$ 24) e a abonanza (R$ 26), criação da casa, que leva mussarela, calabresa, cogumelo shitake e manjericão. A lingüiça calabresa é artesanal, preparada na própria cantina. O vinho mais vendido é o italiano Bolla, por R$ 32, a garrafa.Artesanal - Na Camelo, que foi fundada em 1957, na Rua Pamplona, e está para inaugurar a terceira filial, no Morumbi, a massa é fina e crocante e tudo é feito artesanalmente. Um dos seus segredos são os ingredientes, comprados de fornecedores que servem o restaurante há mais de 20 anos, e os chefes de cozinha, que estão há 30 anos na função. A Camelo oferece 42 sabores de pizzas. A campeã de vendas é a de mussarela (R$ 18), seguida das de frango com catupiri, moda da casa (presunto, azeitona sem caroço e cobertura de mussarela), rúcula e argentina (mussarela com alho frito salpicado por cima).Outra que oferece massa "fina, crocante e esfumaçante", segundo Carlos Rios, um dos seus proprietários , é a Cristal, nas proximidades do Clube Pinheiros. Rios explica que a base da pizza da Cristal é massa com pouquíssimo fermento e molho de tomate temperado com manjericão e orégano.Chique - Outro forte da casa é a decoração, que lançou na cidade o conceito pizza-chique. Inaugurada há 20 anos em uma casa moderna, a a Cristal tem muitos jardins e um lounge na entrada. Além da pizza de mussarela (individual, R$ 13,90, e grande, R$ 20,60), a margherita (individual, R$ 16,80, grande, R$ 24,60) também sai bastante.Uma das melhores pizzas da cidade, segundo o crítico Saul Galvão, é a frita no forno a lenha sobre uma grelha, servida no Recreio Jaraguá, pizzaria que acaba de fazer 50 anos. Desse modo, frita por baixo e tostada por cima. São oferecidas 12 opções tradicionais, como mussarela (R$ 14), portuguesa (R$ 16), atum e calabresa (ambas, R$ 13).Tradicional Com 70 anos de existência, a pizzaria Castelões preza a tradição. Os onze sabores de recheio oferecidos em seu cardápio são os mais conhecidos - mussarela (R$ 18), aliche (R$ 26), calabresa (R$ 26), escarola (R$ 23) e provolone (R$ 25), entre eles. O tomate usado nos discos de massa grossa e borda bem alta é tipo italiano. O restaurante é decorado à maneira das mais autênticas cantinas, com queijos e vinhos pendurados. A linguiça calabresa e um dos vinhos tintos secos servidos na Castelões são feitos especialmente. A jarra do vinho custa R$ 11.Outra pizzaria tradicionalíssima é Speranza, que também é típica napolitana e serve seus próprios vinhos Até 1980 seus proprietários e fundadores, os imigrantes italianos Antonio e Speranza Tarallo, moraram no casarão do começo do século onde funciona a pizzaria, na Bela Vista, há 43 anos. O vinho é feito em Garibaldi, no Rio Grande do Sul, e pode ser seco, R$ 12 o litro, ou suave, R$ 10,50 o litro.Uma novidade da casa, criada há cerca de um ano, é a pizza de javali (R$ 25), que leva calabresa de javali, mussarela de búfala e molho de tomate. "Não é um sabor que tem muita saída, mas quem experimenta gosta, porque a carne é saborosa e pouco gordurosa", explica Tito Tarallo, neto de Antonio e Speranza, um dos atuais proprietários.De hoje até dia 17, a filial de Moema promove um evento para arrecadar dinheiro para a Ação Criança, que cuida de crianças de até seis anos. Hoje, o grupo Fat Family e o ator Thiago Lacerda farão suas pizzas na Speranza e o lucro destas "redondas" será revertido para a instituição.Nova geração - Entre as pizzarias mais novas, a Veridiana é um dos maiores sucessos. Montada em um velho casarão de Higienópolis que só manteve intacto o exterior, distribui-se em vários ambientes, um deles entre os arcos de tijolo à vista do antigo porão.Fundada em 1995, a Little Italy também é considerada de nova geração num mercado tão cheio de tradições. Foi aberta pelo mesmo dono da rede Micheluccio, Miguel Pascoal, com Flávio Cateb. No cardápio, 25 sabores. Os mais pedidos são mussarela (R$ 18,20) e Castelões (R$ 24,90), com mussarela coberta de lingüiça calabresa.Outra que saiu do forno há pouco tempo, em 1997, mas já faz parte da lista das melhores da cidade é a Bráz Pizzaria, resultado da parceria entre os donos do bar Original e da pizzaria Primo Basílico. "Nosso maior diferencial é a pizza, com receitas consagradas, servida com o ótimo chopp do Original", explica Mário Gorski, um dos proprietários.Um dos destaques da casa é a pizza Bráz (R$ 24), preparada com abobrinha refogada no azeite, mussarela de búfala, queijo parmesão e molho de tomate, mas a mais vendida é a tradicional mussarela (R$ 17). O chope custa R$ 2,50.A pizzaria I Vitelloni, em Pinheiros, considerada a melhor de São Paulo pelo Guia Quatro Rodas desde 1989, quando foi inaugurada, é a campeã dos sabores exóticos. Entre eles, flor de abóbora com ricota fresca (R$ 24) e abobrinha (R$ 25). A decoração da casa é inspirada no time do Palmeiras, paixão do proprietário, conhecido como "Mellão". O vinho chileno Santa Helena custa, na pizzaria, R$ 26.

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