Como conter uma filha 'periguete' em dez episódios

'Filhas do Bom Pastor' mostra como líderes religiosos lidam com as herdeiras no auge da adolescência

João Fernando, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2013 | 02h12

Quanto mais os hormônios da filhas adolescentes pululam, mais os pais puxam as rédeas. Com esse mote é que agem os participantes do reality Filhas do Bom Pastor, que estreia segunda, às 22 horas, no canal Bio, em que líderes de igrejas evangélicas dos Estados Unidos mostram como lidam com suas herdeiras com jeito de "periguete".

"Tenho regras e quero que minha filha as siga. Não sou muito liberal. Você tem de ficar em cima das crianças. Depois do programa, acho que sou mais conservador do que eu pensava", disse ao Estado o pastor Kenneth Coleman, em teleconferência com jornalistas da América Latina. Líder da igreja Pentecostal da cidade de Refuge, no estado de Illinois, ele aposta todas as fichas na criação de Taylor, sua filha caçula, de 18 anos.

"Meus filhos mais velhos não viveram comigo o tempo todo, moravam com a mãe, e eu só os via no fim de semana. Com a Taylor, estou o tempo todo. Vou à escola dela o tempo todo, não tive essa oportunidade com as outras. Não quero ser um pai de fim de semana. Quero ser um pai 24 horas. Quero que ela saiba que, antes de pastor, eu sou um pai", afirma.

Longe do modelo de comportamento idealizado pelo pai, a filha do pastor dá declarações polêmicas ao longo dos episódios. "Se eu não tiver dinheiro suficiente para pagar a faculdade, vou virar stripper. Ou atriz pornô", disse rindo. Para Coleman, o que mais o surpreendeu foi ver Taylor usando um biquíni na praia. "Eu não compro esse tipo de coisa para ela. Ela está crescendo, quer conquistar sua liberdade e isso tem seu preço. Ela tem de reconhecer que nem tudo é bom", explica.

O pastor diz fazer o que pode para controlar a filha. "Na escola, meninas brigam mais do que meninos. As garotas aqui adoram. Tento fazê-la não brigar, levo-a ao diretor para que ele tome conta. Quero que ela vá para a faculdade e que se gradue com honra. Eu me esforço para que ela foque no que eu digo, não no que as outras garotas falam. Elas bebem, fumam, são bobas. Você pode ter seus problemas, mas não precisa se meter em confusão."

Apesar da vigilância em excesso, Coleman garante ter apoio de quem o assistiu na TV. "No Facebook, tem gente me dizendo que gostaria de ter um pai como eu", revela. Segundo ele, o reality não espantou os amigos da igreja. "Acho que a imagem que eles têm é melhor do que antes, porque viram como cuido da minha filha. Acho que eles adoraram", aposta.

A ideia de participar da atração foi de Taylor, que viu o anúncio em um site de classificados. "Eu disse: 'Vão ver a sua vida'. Ela disse que queria e eu concordei", relembra. Coleman prega que os pais devem se dedicar 100% aos filhos. "Vejam o que eles estão fazendo, saibam onde estão, pois, assim, eles não cairão nas mesmas armadilhas que caímos. A Bíblia diz que um homem sábio aprende com os erros dos outros, mas o tolo aprende com os próprios."

AS FILHAS DO BOM PASTOR

Estreia dia 14 de outubro, às 22h, no canal pago Bio

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