Taba Benedicto|Estadão
Mateus Ortiz Taleb Marson, de 5 anos Taba Benedicto|Estadão

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Como conciliar o home office com o tempo das brincadeiras com os filhos

Em casa ou na natureza, brincar é essencial para as crianças e pode ser benéfico também para os adultos

Maria Fernanda Rodrigues , O Estado de S. Paulo

Atualizado

Mateus Ortiz Taleb Marson, de 5 anos Taba Benedicto|Estadão

Vamos brincar? Um convite e um gatilho. Quem tem criança em casa e precisa conciliar o home office com a paternidade sabe como o confinamento pode ser estressante, e sabe que chegar inteiro ao fim do dia é uma aventura. Tem sido assim há mais de um ano.

Patricia Camargo, uma das idealizadoras do projeto Tempo Junto, que desde 2014 traz propostas de brincadeiras em família e viu sua base de seguidores aumentar consideravelmente depois da pandemia da covid-19 (no Instagram são 320 mil seguidores), tem alguns conselhos. O primeiro: não queira ser um recreador. Pais não são recreadores. Tudo bem se você não gostar de brincar, se não estiver com vontade naquele dia, mas é preciso permitir que a criança brinque. Tem que dar espaço e tempo, e objetos. Tem que tirar os ‘nãos’ das frases. Pode sujar, pode bagunçar. Vai ficar tudo bem. “Não precisa brincar, mas esteja presente, interaja, comente, faça perguntas”, sugere.

Seu segundo conselho vai no sentido de mostrar que brincadeiras não são benéficas apenas para as crianças. “Brincar alivia o adulto, tira o estresse. Isso é cientificamente comprovado e usado no mundo corporativo, nas chamadas dinâmicas. Empresas levam seus executivos para um lugar diferente basicamente para eles brincarem e serem criativos”, comenta Patrícia.

Para ela, quando o adulto entende isso, experimenta a brincadeira e percebe essa alegria nele mesmo, a brincadeira passa a servir como um apoio também para ele, para a sua vida e seu dia a dia. Jogar um jogo em família no fim do dia em vez de buscar distração nas redes sociais, por exemplo, ela diz, faz todo mundo dormir melhor e ajuda todos a terem uma relação mais tranquila ao longo do dia.

Mãe de três filhos, Patricia tem outra dica útil para famílias confinadas e estressadas, que terminam o dia sem terem conseguido fazer o trabalho direito e, ao mesmo tempo, sem terem dado atenção às crianças. Ela explica que pode ser mais produtivo ter momentos de concentração total no trabalho, coisa de uma hora e meia, seguidos por intervalos de 15 minutos (a pausa do café se estivesse trabalhando presencialmente), quando a atenção será toda das crianças (veja dicas de brincadeiras abaixo). Assim, elas conseguem entender que existe um tempo delas, mas que também tem o momento que não é para elas, que vão ter que se distrair sozinhas. 

Em sua opinião, isso é melhor do que querer se fechar por quatro horas para trabalhar, almoçar correndo e emendar mais quatro horas. “A não ser que você tenha alguma ajuda, não vai conseguir. Seu filho não vai deixar”, diz. E completa: “Aceite a realidade e busque uma alternativa em vez de ficar perdendo tempo brigando com seu filho para que ele te deixe em paz, para que ele se distraia. Você vai chegar exausto e frustrado no fim do dia. Seu filho vai virar um chato dentro de casa, querendo sua atenção. E a relação vai ficando desgastada.” As pausas ajudam a criança a entender que tem hora para tudo, e que a hora de brincar, sozinho ou acompanhando, é essencial.

O pediatra Daniel Becker explica que é por meio da brincadeira que a criança apreende o mundo, que ela se apropria da realidade e a testa, que compreende tudo o que a cerca – os objetos, as relações, as leis naturais e sociais. “O brincar é uma forma de expressão, traz habilidades fundamentais, estimula a curiosidade, as descobertas, a imaginação e a solução de problemas.” Para ele, a natureza é o território onde esse brincar deve acontecer e, neste sentido, é importante levar as crianças a parques, praças ou pelo menos para uma corrida embaixo do prédio – com máscara, claro. 

“O brincar livre na natureza é a melhor forma de a criança se expressar, aprender e ser feliz.” Isso tudo também para ajudar a diminuir o tempo de tela. Muita tela e pouco brincar podem resultar, mais cedo ou mais tarde, de acordo com o pediatra, em distúrbios do comportamento, transtornos mentais, problemas no desenvolvimento, retardo na linguagem, distúrbio de atenção, hiperatividade, sedentarismo e consumo de ultraprocessados. “Brincar traz felicidade. Brincar é um antídoto ao estresse tóxico a que submetemos as crianças”, finaliza.

São tempos difíceis, e nem sempre é possível estar bem-humorado – o humor, para Patricia Camargo, é o ingrediente que não pode faltar em casa (depois aparecem as sucatas, os rolinhos de papel higiênico, bexigas, tinta, cola, papelão e tudo o mais que puder virar um brinquedo na mão de uma criança).

No começo da pandemia, relembra Patricia Camargo, pais procuravam dicas de como distrair os filhos – desafio que antes se resumia às férias. Com o prolongamento da quarentena, ela percebeu que algo estava mudando – que os adultos estavam pensando no queriam que os filhos tivessem de lembrança desse período. E por falar em marcas, ela faz um alerta dizendo que pode ser um alívio quando as crianças maiores já se viram sozinhas e não precisam dos pais para brincar, mas que é nesta hora que os vínculos começam a se perder, algo que poderá ser sentido na adolescência. 

Com a palavra, Mateus Ortiz Taleb Marson, de 5 anos: “Brincar é muito legal porque brincar é se divertir. Gosto de brincar de jogos de tabuleiro e carrinho, com a mamãe, o papai, os meus primos e a Pipa, que é uma cachorrinha muito engraçada”.

 

Veja dicas de brincadeiras para fazer com as crianças nas pausas do trabalho

Fonte: Tempo Junto

  • Guerra de polegar

Brincadeira simples, que não precisa de material. Quem consegue pegar o dedão primeiro? Se estiver fácil demais, que tal tentar com as duas mãos ao mesmo tempo?

  • Brincadeiras musicais de acumulação

Esta brincadeira tem várias bases iniciais e é possível criar muitas outras. O objetivo é memorizar uma lista, que vai aumentando sempre. Por exemplo:

“Estava a velha em seu lugar

Veio a mosca atrapalhar

A mosca na velha e a velha a fiar”

E cada um vai adicionando uma coisa na música (que pode ou não fazer sentido. O que vale é a criatividade e diversão)

“Estava a mosca em seu lugar

Veio a aranha atrapalhar

A aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar”

“Estava a aranha em seu lugar

Veio a chuva atrapalhar

A chuva na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar”

E assim por diante, até alguém esquecer uma parte.

  • Abana o rolinho

Você precisa de um rolo vazio de papel (pode ser papel higiênico) e dois objetos para abanar: pode ser pratinho descartável, tampa de plástico, ou até usar as mãos. E fita crepe para marcar o campo.

Com a fita crepe, fazer uma marca na mesa ou no chão. Será a divisão do campo. 

Colocar o rolo vazio sobre a marca da fita crepe

Pais e filhos começam a abanar e tentar jogar o rolo para o lado do campo adversário. Quem deixar o rolo por 10 segundos na área do adversário, vence a partida.

  • Quem sou eu?

Na versão simplificada e mais rápida da brincadeira, cada um escolhe um personagem, conforme o tema. Cada um terá só 3 perguntas para fazer para a outra pessoa.

Só é possível responder a pergunta com SIM ou NÃO

  • Foto misteriosa

Tire uma foto de um objeto da casa de um ângulo diferente: muito perto, ou do avesso ou da parte debaixo, por exemplo. 

A criança precisa adivinhar que objeto é. Depois troca e a criança é quem vai procurar um objeto para fazer a foto.

  • Pega-vassoura

O material necessário são duas vassouras ou uma vassoura e um rodo.

Quem está participando da brincadeira precisa ficar frente a frente, em pé, segurando uma das vassouras em pé no chão.

Ao mesmo tempo, os dois soltam as vassouras e correm para pegar a outra vassoura antes que ela caia no chão.

Só não vale empurrar a vassoura para o chão na hora de soltar o cabo.

  • Minuto câmera lenta

Durante um minuto, todos os movimentos precisam ser feitos em câmera lenta. Quem não aguentar perto o jogo.

  • Bexiga no alvo

Para esta brincadeira é preciso uma bexiga por participante e uma garrafa plástica de qualquer tamanho vazia.

Encha a bexiga, segure a ponta sem amarrar. Mire na garrafa plástica no chão e tente derrubar a garrafa só soltando a bexiga em direção à ela.

  • Quantos têm?

Pense numa forma geométrica e diga para a criança. Ela deve percorrer o ambiente contando quantos objetos ela consegue encontrar com aquela forma geométrica.

É possível fazer uma competição entre pais e filhos. Quem conseguir encontrar mais objetos com a forma geométrica escolhida, ganha. Vale anotar a contagem para não esquecer depois.

 

 

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Brincadeiras e crianças atípicas: interação exige amor, paciência e engajamento dos pais

Em meio à pandemia de covid-19, com o isolamento social, muitas famílias são desafiadas a praticar a criatividade com os filhos

Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2021 | 23h59

Algumas coisas são naturalizadas na relação entre pais e filhos e você começa uma família achando que é só repetir o que os outros já fizeram e vai dar tudo certo. O único pormenor é que maternidade e paternidade não possuem um manual de instrução. Na ‘seara’ das brincadeiras, é preciso aprender o tempo inteiro, isso porque ser criança ficou distante de nossas rotinas. Assim sendo, para cultivar e colher frutos dessa ‘extensão de terra’ que foi quase apagada da memória, é preciso ‘reaprender’ a brincar. “Essa parte, para mim, é a mais difícil porque, nesses últimos meses, ganhei uma hérnia, então, para eu abaixar e ficar com a Gabriela está sendo meio sofrido, mas estou tentando fazer um esforço para melhorar”, desabafa Cristiano Bichara Leal. Ele e Vanessa Marques de Medeiros Leal moram no Rio de Janeiro e são pais de Mariana, de 10 anos, e de Gabriela, 5, que teve diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em meio à pandemia do novo coronavírus. “Sempre o ‘trunfo’ paras as brincadeiras é a Mariana, porque ela adora brincar com a irmã. Seguindo com a terapia ABA (Análise do Comportamento Aplicada), a gente vai vendo o aprender a brincar e a se comunicar com a criança”, afirma. 

“Além de ser um período difícil para todos, pois não têm como brincar com muitas pessoas, socializando livremente, as crianças com atrasos no desenvolvimento, como TEA e Síndrome de Down, costumam ficar ainda mais agitadas. Por isso, é importante que os pais ou responsáveis mesclem atividades”, esclarece a neuropsicóloga Bárbara Calmeto, diretora do Autonomia Instituto. Antes de ser diagnosticada com TEA, Gabriela enfrentava problemas na comunicação. Assim que nasceu, teve de passar por uma cirurgia para a retirada de um tumor. Além disso, o teste da orelhinha, responsável por verificar o funcionamento da audição, registrou alteração. “Gabriela usa aparelho auditivo desde bebezinha, mas a gente começou a perceber que, com sete meses, ela respondia a alguns sons, porém o aspecto motor não estava respondendo como outras crianças. A gente já tinha a Mariana e é natural que os pais comparem o desenvolvimento de uma filha com a outra na mesma idade. A pediatra sempre falava que cada uma tem seu tempo, mas a gente ficava com a ‘pulga atrás da orelha’, né?”, lembra Leal. Mesmo sem falar, Gabriela desenvolveu uma comunicação não verbal que a família entende. “Ela passou por uma infinidade de neurologistas. Ninguém descobriu. Então, o meu sobrinho foi levado ao especialista com suspeita de autismo e sugeriram essa médica para Gabriela. Conseguimos o diagnóstico de TEA em agosto”, afirma o pai. A mãe dela é enfermeira e também enfrenta uma rotina de trabalho puxada, sobretudo por causa da pandemia de covid-19

Mesmo com a correria, Cristiano e Vanessa se engajaram e aprenderam a se comunicar melhor com a filha que, antes da terapia comportamental, não conseguia olhar para os pais. “Agora ela olha para alguém que quer brincar. Antes, ela não sabia a utilidade, por exemplo, blocos de encaixe. Não fazia ideia que era para colocar em um espaço vazio. Ficava com a peça na mão ou brincava arremessando. Agora, aprendeu a brincar. E eu aprendi que tenho que ficar na altura dela, falando de maneira clara, sucinta, para ela poder entender e cumprir o papel”, diz Leal. Uma peça do bloquinho de montar encaixada. Um olhar. Um sorriso. Aquilo que parece um detalhe para muitos, no desenvolvimento atípico, é uma grande evolução. “E a melhor coisa é ver aquela gargalhada que dá depois. Ainda mais que os dentinhos de leite caíram, está com uma cara de levada que fica mais fofa ainda. Cada vez que ela reconhece uma coisinha nova é importante. Nesses últimos dias, Gabriela de fato passou a reconhecer a irmã, a procura, coisa que não fazia antes. E isso não tem preço, porque a Mariana sempre a amou demais”, se emociona Cristiano Bichara Leal. 

 

Uma simples interação no mundo da fantasia infantil pode fazer a diferença no desenvolvimento cognitivo das crianças como atenção, memória, raciocínio, resolução de problemas simples do cotidiano e outras funções executivas. “De maneira geral, toda brincadeira é estimulação, pois trabalha os aspectos sociais, comunicativos, motores e cognitivos. Quando a família entende as dificuldades da criança e foca as brincadeiras nos comportamentos-alvo, essas habilidades ficam fortalecidas”, explica Bárbara Calmeto. A neuropsicóloga acrescenta que os pais precisam aproveitar todas as chances de interação. “O banho, as refeições, o parquinho, a hora de dormir, todos esses momentos podem se tornar oportunidades de estimulação”, diz.

Se a comunicação com o seu pequenino não está acontecendo da maneira como você esperava, além de buscar o apoio de especialistas, uma simples atitude como sentar no chão, deixar o celular de lado e dar atenção para ele fará a diferença. O ditado popular diz que “ninguém nasce sabendo”, mas não explica que criar filhos é um eterno aprendizado, com tentativas, erros e acertos, incluindo o brincar com eles. 

 

Confira 10 brincadeiras para fazer em casa com crianças com atrasos no desenvolvimento

Quando se trata de crianças com atrasos no desenvolvimento, o mais importante é que as brincadeiras sejam feitas sob supervisão de um adulto e que os pais direcionem as atividades como maneira de estimulação, sempre com o objetivo de melhorar os comportamentos que não estão adequados. Por exemplo, se ela for colocar uma peça na boca, é preciso redirecionar esse comportamento para que consiga cumprir a atividade desejada. Até 12 meses, colocar objetos na boca é normal, pois a criança está explorando o ambiente através dos seus sentidos. Mordedores ou brinquedos macios são ideais. 

A pedido do Estadão, a neuropsicóloga Bárbara Calmeto, diretora do Autonomia Instituto, fez uma lista com 10 atividades para fazer em casa com os pequenos. São brincadeiras para crianças a partir de dez meses, como as sensoriais e tintas caseiras, até blocos de montar simples e grandes. Outras são mais indicadas a partir de 18 meses, como quebra-cabeças, blocos de montar ou massa de modelar caseira. Já o acampamento e a cozinha experimental são para crianças a partir de dois anos. “Uma dica extra: aproveite também para ensinar e conversar com seu filho sobre o coronavírus. Fale de maneira lúdica, mas bem prática e concreta, sobre os cuidados que precisamos ter e sobre a importâncias dos hábitos de higiene. É uma ótima oportunidade de treinar novas habilidades”, afirma Calmeto.

1 – Massa de modelar caseira

Toda criança ama massinha de modelar e fazer o processo em casa para depois brincar é uma atividade bacana. Chame-a para preparar, deixe-a sujar, misturar e faça passo a passo para ela conseguir participar. Depois da massinha pronta, brinque à vontade! Faça bichinhos, modele, corte com tesoura sem ponta e use a criatividade. 

Modo de preparo: em uma tigela, misture bem todos os ingredientes, 4 xícaras de farinha de trigo, 1 xícara de sal, 1 ¹/² xícara de água, 1 colher de chá de óleo. Separe em porções e coloque algumas gotas de corante para deixá-la colorida. Lembre-se de guardar em saco plástico para não endurecer.

2 – Blocos de montar

Esses são preferência para todas as crianças, basta a família direcionar para o interesse e nível de atenção da criança. É possível montar torres, castelos, carrinhos, pessoas e até aproveitar para fazer treino de imitação, onde você crie uma sequência e peça para seu filho fazer igual. Para crianças menores ou com dificuldades motoras, use peças maiores de encaixe.

3 – Tinta caseira

Você pode fazer a própria tinta caseira e pintar na folha, no azulejo do banheiro e deixar a criança se sujar à vontade. É diversão garantida e com uma estimulação sensorial. 

Modo de preparo: misture 1 xícara de farinha de trigo, 1 xícara de sal, 1 xícara de água. Coloque a mistura em copos ou potes separados e pingue gotas de corante. Misture bem e pode usar com muita criatividade.

4 – Circuito de obstáculos 

Que tal um desafio psicomotor dentro da sua casa? Lembre-se que a decoração pode fazer parte da brincadeira do seu filho. Pegue almofadas, bambolês, cadeiras, puffs e outros objetos que você possa usar e monte um caminho com obstáculos. Use a criatividade e você terá muitos circuitos para diversão por aí. Lembre-se que essa atividade desenvolve a coordenação motora ampla, reconhecimento do corpo, controle do esquema corporal, lateralidade e muito mais.

Modo de preparo: a criança precisará pisar nas almofadas com 2 pés juntos, passar por cima do puff, embaixo da cadeira, pular dentro dos bambolês e pisar com 1 pé só nas almofadas. 

5 – Labirinto no corredor 

Outra atividade psicomotora que as crianças amam. Pegue uma fita grossa e cole de uma ponta a outra na parede formando um labirinto no corredor. Depois, peça para seu filho passar pelo labirinto sem encostar na fita. Já percebeu que será divertido por muito tempo, não é? 

6 – Acampamento

Quem não ama um acampamento? As crianças com autismo ou Síndrome de Down também ficam animadas com essas atividades. Pegue um lençol, pendure em um canto da sala ou do quarto e faça uma cabana. Aproveite para acender uma lanterna, ler livros, fazer atividades, criar histórias, fazer lanches e muito mais dentro do acampamento. Mas um alerta importante: as crianças com autismo e Síndrome de Down às vezes demonstram dificuldades nas brincadeiras mais lúdicas de imaginação e de criatividade. Se esse for o caso do seu filho, você precisará mediar mais, ser mais criativo e saber que o tempo de concentração dele nessa atividade será menor. Então, deixe o acampamento montado e brinque um pouco a cada dia para ele se acostumar.

7 – Quebra-cabeça 

Buscar atividades que desenvolvam o aprendizado, a ordenação, a percepção e a discriminação visual são sempre ótimas dicas. Comece com o quebra-cabeça de uma peça, vá adicionando peças. Use imagens conhecidas por ele como formas geométricas, letras, números, animais, frutas dentre outros. 

8 – Atividades sensoriais

Que tal aproveitar seu filho em casa para fazer atividades sensoriais com ele? A maioria das crianças com atrasos no desenvolvimento tem déficits nesse aspecto. Faça caixas com bolinhas de gel, sagu ou arroz colorido, feijão preto/branco e coloque dentro dela objetos que seu filho gosta. Pode usar animais, letras, números e frutas. Peça a ele para encontrar os objetos usando as mãos ou uma pinça. Outras opções de atividades sensoriais são slime, espuma de barbear, macarrão cozido colorido, bolha de sabão, pintura dentro do box do banheiro e muito mais. Outra opção é colocar líquidos com odores diferentes em potes separados e pedir para ele cheirar e descobrir o que é. Você pode fazer várias vezes durante a semana até ele decodificar e memorizar o cheiro com o objeto. 

9 – Cozinha divertida

Cozinhar é sempre uma alegria e incluir as crianças nessa brincadeira é garantia de diversão. Muitas crianças com TEA e Síndrome de Down têm seletividade alimentar e déficits sensoriais e incluí-las no preparo de alimentos gostosos é uma ótima opção. Faça biscoitinhos, bolos, sanduíches, brigadeiro, pão de queijo, dentre muitas outras receitas fáceis que dão para fazer no microondas. Escreva a receita e vá fazendo o passo a passo com seu filho. Depois, monte uma mesa bonita, chame a família e compartilhem o resultado do esforço do seu filho.  

10 – Brincadeiras manuais

Essas sempre agradam e as crianças com atraso no desenvolvimento muitas vezes têm dificuldades em realizar. Pode fazer recorte e colagem com encartes de mercado ou farmácia, pintura com hastes flexíveis e tinta, colagem de bolinhas de papel crepom, brinquedos com material reciclável, dobraduras, mosaico com EVA. As atividades artísticas manuais ajudam a estimular as mãos através da coordenação motora e coordenação olho-mão. Além de estimular a parte sensorial e de criatividade também.

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