Comemorações de Gloria Coelho

Para sua coleção Verão 2014, apresentada ontem, estilista buscou inspiração na leveza das festas e das bailarinas

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2013 | 02h14

Depois de ficar de fora do line-up da São Paulo Fashion Week, em março, Gloria Coelho finalmente apresentou ontem seu desfile Verão 2013/2014, na casa Electrolux. E para a estação, resolveu festejar. Não por acaso, Comemorações é o nome e o tema da coleção. "Pensamos nesta 'coleção festa' como uma extensão de nossa coleção comercial, que vende muito nas lojas. E nas mulheres que gostam da gente. E nas jovens também. E trouxemos uma celebração que se comemora no barco, na praia, na piscina e até mesmo na cidade, mas com descontração", contou a estilista ao Estado logo após o desfile.

Ao contrário de outras coleções em que trabalhou formas mais estruturadas e rígidas, desta vez a inspiração está na leveza do verão e das bailarinas. Na passarela, isso se traduziu na silhueta mais fluida, transparências, tule, flores, sapatilhas e cores claras como verde-água, bege, nude, branco. Vermelho e preto também surgiram em alguns looks, mas compondo um visual mais prático ou mais sofisticado (como a saia de tutu escarlate do vestido de noite). "Quando eu trabalho o Pokémon, o futurismo, eu preciso usar formas mais rígidas porque o tema pede. Mas, hoje, o tema pede leveza. E pede também peças como o maiô, o corset, assimetrias, peças básicas...", comentou a estilista, que se declarou em uma fase mais racional.

"Antigamente, eu só queria saber de roupa. Agora, penso em negócios, penso no que o consumidor quer. Nas peças que todo mundo tem que ter", disse Gloria. "A calça mais básica, por exemplo, que todo mundo tem, pode ser combinada com um corset, com uma blusa assimétrica. É versátil."

O início do desfile trouxe justamente essas peças. Calças que, mais justas, combinam bem com maiôs. Em seguida, vestidos transparentes de tule sobre shortinhos ultradelicados. As meninas de Gloria ora são clássicas, apostando nas listras e formas mais sóbrias, ora ousam na transparência. "É como eu achei que as garotas de hoje se vestiriam, com muita transparência e comprimentos curtíssimos", contou. "Isso porque nos anos 60 eu usava saias supercurtas. Mas, em vez de acabarem usando shortinhos e maiôs nas ruas, as garotas até que estão comportadas", completou.

Para as mais velhas, o vestido transparente de tule ganhou mangas "para esconder um pouquinho os braços". "É preciso pensar, como já disse, nas nossas clientes que não querem revelar algumas partes do corpo", explicou a estilista, que também pensou em planejamento e gastos ao decidir voltar ao calendário oficial da SPFW em outubro. "Aí, sim, vai dar para fazer tudo direito. Gastamos muito para produzir os desfiles no ano passado. E não ia dar tempo, nem teríamos verba, para desfilar em abril", comentou ela, que aprova as mudanças de data do evento. "Vai ser bom para, justamente, planejarmos mais nossas coleções e negócios."

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