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Guillaume Horcajuelo/EFE
Guillaume Horcajuelo/EFE

Comédia de Wes Anderson abre a 65º edição do Festival de Cannes

'Moonrise Kingdom' narra a improvável história de amor de um escoteiro órfão e de uma garota

LUIZ CARLOS MERTEN - ENVIADO ESPECIAL / CANNES,

17 de maio de 2012 | 07h50

Excêntrico, desde a família Tenenbauns, é um adjetivo sempre associado ao diretor norte-americano Wes Anderson. Seu humor e seus personagens são particulares, como o estilo visual. O novo Wes Anderson, que abriu ontem o 65.º Festival de Cannes, tem todas as características do diretor, não necessariamente as qualidades. Moonrise Kingdom narra a improvável história de amor de um escoteiro órfão e de uma garota, ambos com 12 anos. Sentindo-se incompreendidos, resolvem fugir. O fato desencadeia uma reação - eles são perseguidos pela família, o xerife e a assistente social que se encarrega do caso dele. E tudo culmina numa grande tempestade que assolou a América em 1965.

Filho do meio, Anderson confessou na coletiva que sempre se sentiu negligenciado pelos pais. No seu imaginário infantil, eles preferiam os seus dois irmãos. Essa sensação de rejeição durou até a adolescência, quando ele descobriu o teatro e o cinema. Queria ser ator. Achava que tinha talento. Nenhum agente concordava com ele. A sugestão veio da mãe - por que não tentava uma carreira atrás das câmeras? Dito e feito.

"Família é uma coisa que eu entendo", diz o diretor. Para tentar prová-lo, ele conta a história não de uma, mas de duas famílias disfuncionais, a do menino e da garota. De repente, é toda a sociedade que é disfuncional, mas há esperança, você vai ver. A grande curiosidade de Moonrise Kingdom é que, nele, Anderson refaz, como live action, a animação de O Incrível Sr. Raposa. Tudo é muito parecido, incluindo o estilo de representação dos atores. Cannes 2012 começou sob o signo de um antirrealismo. O que isso significa? É ainda o primeiro dia, não dá para formular ideias nem conceitos, mas pode vir a ser uma tendência.

Thiérry Frémaux, o delegado-geral do festival, que assina a curadoria da seleção oficial, isto é, da competição e da mostra Um Certain Regard, negou ontem que sofra interferências ou pressões. Ele acrescentou que selecionar os filmes para Cannes não quer dizer escolher aqueles de que gosta. Mais que o gosto pessoal, o que prevalece na seleção é um conceito - o que é melhor para o maior festival do mundo. Moonrise Kingdom foi uma escolha estranha (discutível?) para abrir a disputa. O filme é autoral, mas um tanto vago. Impecável é a trilha, de Alexandres Desplat.

Como todo ano, o festival abriga manifestações paralelas do cinemão, que se beneficia do tapete vermelho e da vitrine internacional do evento. Ontem, Chris Pine e Alec Baldwin vieram mostrar cenas da animação Rise of the Guardians, da DreamWorks, que deve estrear no fim do ano. O material exibido - em 3D - é riquíssimo. O júri presidido por Nanni Moretti inclui as atrizes Hiam Abbas, Emmanuelle Devos e Diane Kruger. Berenice Béjo é a maitresse de cérémonie. Embora trabalhe com humor, Moretti é o perfeito misantropo, sempre com cara de mal-humorado. Antes mesmo de ver os filmes, os críticos apostam na sua provável premiação. A maioria acredita que será um filme de recorte político. A resposta sai em 11 dias.

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