Comédia de Shakespeare inspira novela das seis

A novela das sete já não é mais a única que conta uma história recheada de situações engraçadas. A partir de 26 de junho, O Cravo e a Rosa também passará a cumprir esta função no horário das seis, substituindo Esplendor. "Trata-se de uma comédia romântica, com muito humor e sentimento", ressalta Walcyr Carrasco, que escreve a obra em co-autoria com Mário Teixeira e colaboração de Duca Rachid. Assim como sua antecessora, O Cravo e a Rosa também é uma trama de época (é ambientada na cidade de São Paulo dos anos 20) e terá apenas 107 capítulos.Com direção de Walter Avancini (que dirige sua primeira novela desde que voltou à Globo, há um ano), Mário Márcio Bandarra e Amora Mautner, a trama é inspirada na obra A Megera Domada, do dramaturgo inglês William Shakespeare. Em 1965, a escritora Ivani Ribeiro também utilizou o clássico para escrever O Machão, exibida na TV Excelsior, também sob a direção de Avancini. Por ter trabalhado com a autora em outras ocasiões, o diretor comenta que sua escalação para a novela está relacionada com a antiga parceria. "É uma forma de manter um pouco do estilo da Ivani na novela", salienta.O Cravo e a Rosa terá dois núcleos principais: o rural e o urbano. O núcleo rural é formado pelo rude fazendeiro Julião Petruchio (Du Moscovis) e seus empregados, como Lindinha (Vanessa Gerbelli), Januário (Taumaturgo Ferreira), Neca (Ana Lúcia Torre) e Calixto (Pedro Paulo Rangel). Depois de herdar a fazenda de seu pai, Petruchio tenta encontrar uma saída rápida para pagar a hipoteca e afastar de vez a ameaça de perder seus bens. Para isso, tenta a todo custo casar-se com Catarina (Adriana Esteves), filha do milionário Nicanor Batista (Luís Melo).Mas ao contrário do que acredita Petruchio, que acha que toda mulher se realiza diante de um fogão, Catarina é conhecida na cidade como "a fera", por livrar-se de seus pretendentes sempre pelo mesmo motivo: ela não quer se casar para não ser dominada pelo marido. Feminista, é dona de idéias modernas demais para a época e tem várias amigas que pensam da mesma forma, como Lourdes (Carla Daniel) e Bárbara (Virgínia Cavendish). Mesmo diante de tantas diferenças de comportamento, Catarina e Petruchio acabarão se apaixonando. E como evitam admitir seus sentimentos, estarão sempre protagonizando cenas de brigas engraçadas.Muito diferente da irmã, Bianca (Leandra Leal) é o romantismo em pessoa. Como Batista não aceita que a filha caçula se case antes da irmã mais velha, Bianca vive brigando com Catarina. Também inspirando-se em outro clássico - Cyrano de Bérgerac, de Edmond Rostand - Carrasco criou o conflito entre a jovem e seus pretendentes: Heitor (Rodrigo Faro), que se aproxima da donzela de olho em sua fortuna, e Edmundo (Ângelo Antônio), com quem mais tarde descobrirá o verdadeiro amor.Perdição - O grande vilão da história será Joaquim, interpretado por Carlos Vereza. Muito rico, usará de todas as armas para atrapalhar a vida de Petruchio, a quem julga ter sido o único responsável pela desgraça da vida de sua filha Muriel, que caiu em "perdição" depois do namoro com o fazendeiro. Joaquim fará de tudo para tomar a fazenda de Petruchio e estragar seu relacionamento com Catarina.Vanessa Gerbelli será a jovem vilã da história. Como Lindinha, ela é apaixonada por Petruchio. Fingindo-se amiga de Catarina, tentará afastá-la de seu grande amor. Percebendo que o ingênuo Januário (Taumaturgo Ferreira) gosta dela, usa seu charme para fazer com que ele colabore com seus planos.Um outro casal que promete roubar a cena logo nos primeiros capítulos é formado por Dinorá (Maria Padilha) e Cornélio (Ney Latorraca). Completamente dominado pela esposa, Cornélio morre de medo de Dinorá e acaba aceitando tudo o que ela fala. Trazendo o marido sob rédeas curtas, se apaixona pelo músico Celso (Murilo Rosa). Ela e a mãe, dona Josefa (Eva Todor), serão as grandes incentivadoras do romance entre Petruchio e Catarina, para que o caminho fique livre para Bianca se casar logo com seu irmão, o boêmio Heitor (Rodrigo Faro).Temperamental - Muitos personagens nascidos na primeira versão de O Machão foram aproveitados em O Cravo e a Rosa, mas atualizados sob uma ótica diferente. "Atualizei o cerne da novela, colocando uma Catarina mais simpática aos seus ideais. Minha "megera" não é tão temperamental quanto a original. Se eu fosse seguir ao pé-da-letra, a Catarina teria de dar uma surra na Bianca logo no começo da novelae eu não vou fazer isso. A nossa "megera" é mais enlouquecida e, por isso, é mais fascinante", brinca o autor.

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