Começa restauração de negativos inéditos de Robert Capa

120 rolos de negativos recém-descobertos de Capa contém registros da Guerra Civil espanhola

Efe,

07 Fevereiro 2008 | 16h55

O Centro Internacional de Fotografia (ICP) de Nova York já começou a trabalhar na conservação dos mais de 120 rolos de negativos recém-descobertos no México, frutos do trabalho de Robert Capa durante a Guerra Civil espanhola (1936-1939). "Estamos trabalhando intensamente na conservação dos negativos. Começamos a escanear alguns deles e assim faremos à medida que os tenhamos disponíveis", disse o diretor do ICP, Willis Hartshorn, nesta quinta-feira, 7. Muitos dos negativos são inéditos.   Mais de 120 rolos fotográficos, que podem conter cerca de três mil fotografias tiradas por Robert Capa, foram encontradas no final de janeiro no México e são considerados um verdadeiro tesouro moderno.   O material de Capa, considerado o primeiro fotojornalista contemporâneo, está sendo analisado na instituição nova-iorquina, responsável por boa parte de seu arquivo e fundada por Cornell Capa, irmão do fotógrafo. A ação do tempo pode ter prejudicado o material, já que os negativos estavam enrolados e podem se corromper.   O material viajou de Paris até Marselha, e em 1940 chegaram às mãos do general mexicano Francisco Javier Aguilar González, então diplomata na França, que antes havia lutado na Revolução Mexicana sob as ordens de Pancho Villa. "Serão muitos anos de pesquisa para que saibamos o que é que temos em mãos", disse Hartshorn, afirmando que, após o "momento da descoberta, vem a pesquisa. No final será realizada uma exposição que certamente dará a volta ao mundo".   Graças à descoberta, também se soube que alguns dos negativos correspondem à fotografias feitas por Gerda Taro, companheira de Capa, e por David Seymour, também conhecido pelo pseudônimo 'Chim', um dos fundadores da agência de fotografia 'Magnum'. Capa havia fugido da Europa em 1939 após a invasão nazista e achava que era perigoso viajar com imagens da Guerra Civil espanhola.   "O mais fascinante é que ele deu as fotografias a um amigo, que, no meio da confusão da guerra, esqueceu de devolver-lhe os negativos e os entregou a um cônsul mexicano. Por isso, demoramos quase 70 anos para encontrá-los", afirmou Hartshorn.

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