Começa no Rio a 7.ª edição do festival de teatro Riocena

Sai o cinema, entra o teatro. Nem bemterminou o Festival do Rio, começa nesta sexta-feira a sétima edição doRiocenacontemporânea, que reúne mais de 20 companhias, nacionaise estrangeiras, que vão se espalhar por teatros, galpões efoyers (inclusive a rede Sesc) do Rio e outras cinco cidades daregião metropolitana, isso sem contar com a Mostra Universitária que é nacional desde o ano passado. O quartel-general do eventoé a antiga Estação Barão de Mauá (que o carioca chama deLeopoldina), onde ocorrem performances, debates e música paradançar de noite e de dia. Este ano, o tema é a relação do teatro com outros meiosde comunicação. "Não é o assunto exclusivo do Riocena, que não éum festival temático, mas queremos provocar a discussão sobrecomo outras formas de expressão se comunicam com o teatro e comoinfluem sobre o espectador", diz o diretor Fábio Ferreira,criador do evento com a diretora Bia Junqueira, o ator CésarAugusto e as produtoras Izabel Lito e Márcia Dias. Durante todoo ano, eles garimpam em festivais brasileiros e estrangeiros."Às vezes demoramos dois ou três anos esperando a oportunidade,pois as agendas dos grupos, especialmente os estrangeiros, sãocomplexas." Entre estes, destaca-se a Mostra Catalã, que vai ocuparo Centro Cultural Telemar com espetáculos, performances,palestras, oficina e uma instalação. "A Catalunha é um centromundial de pesquisa em mistura de linguagens e meios. Por issotrouxemos alguns dos principais artistas de lá", lembra CésarAugusto. A mostra começa com "My Madre y Yo", monólogo de SoniaGómez, segue com "Figures", de Germana Civera e Laurent Goldringe termina com "Raw 00", do Coletivo Anatomic. Mas há aindaperformances de Marcel.Lí Antúnez e palestras com todos elessobre seus métodos de criação. Há também, entre os estrangeiros,"K.I. Crime e Castigo", do russo Kamas Ginkas, adaptação de umacena do clássico de Dostoievski, sempre apresentado numa casa, eo inglês Forced Entertainment e os belgas Vivariun Studio eNeedcompany. A estréia de "Quero Ser Romeu e Julieta", do grupo OsDesequilibrados, de Ivan Sugahara, e de "A Gaivota" com o grupode Piolin (na verdade, o ator Luiz Carlos Vasconcellos) sãodestaques da agenda nacional, que tem ainda "Sopro" (com o Lume,de Campinas), "O Assalto" (com o Oficina, de São Paulo), "OlhosRecém-Nascidos" (de Denise Stoklos), e "Otelo na Mangueira"encenado na quadra da escola. "Este espetáculo de Daniel Hertzfoi apresentado como processo, ao lado de ´Dinheiro Grátis´, deMichael Melamed, e ambos foram sucesso de público", ressaltaFábio. "Este ano temos quatro processos, ´Mangiare´, do grupoPedras, ´O Processo´ (baseado em Kafka, do Teatro na Justiça),´Processo Tchekhov´ (de Enrique Dias) e ´Banal´ (de AlessandraColasanti)." Haverá ainda performances e a mais aguardada é "Canibal" do mineiro Marco Paulo Rola, em que os atores são literalmenteengolidos por fornos instalados na Estação Leopoldina."Ampliamos o horário de funcionamento da Estação, onde seconcentram as palestras, shows, performances.", lembra Izabel. Boa parte dos eventos é gratuita e os ingressos custam,no máximo, R$ 20. "Isso é fundamental, dar acesso a todo mundo",diz César. "Levamos teatro a lugares pouco acostumados a vê-lo,como a Baixada Fluminense." A Petrobras é a patrocinadora masterdo evento, que tem ainda um pool de estatais e empresas privadasapoiando. A previsão de público é ambiciosa. "No ano passado,tivemos 65 mil pessoas", lembra Izabel. "Este ano devem ser pelomenos 80 mil."

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