Começa na sexta a sétima edição da Bienal de Havana

A Bienal de Havana inicia sua sétima edição na sexta-feira com uma interessante participação brasileira. Orçada em US$ 150 mil, a mostra cubana parece pretender compensar a sua limitação de recursos com uma grande idéia. Este ano, a exposição se expande para além do Centro de Arte Wifredo Lam e vai aproveitar os interessantes espaços do centro velho da ilha, a Havana Velha, ampliando a convocação da participação do público para o evento.Além de abrigo para produções como o site specifico de Mônica Nador. Em continuidade de seu projeto e interação com o público dos locais onde interfere, a artista promoverá pinturas coletivas de casas da região, que também funciona como uma espécie de chave conceitual da exibição deste ano, que se encerra no dia 24."Mais Perto Um do Outro" é o tema desta mostra, que descreve assim o projeto aglutinador que vai reunir arquitetura, história, música e cinema com seu principal filão, a arte jovem periférica, principalmente aquela ainda não consagrada vinda sobretudo da América Latina, da África e da Ásia, com direito a ações públicas de preservação do patrimônio cubano. Do Brasil, Cuba verá este ano Rochelle Costi, Ana Maria Tavares, Luiz Zerbini, Shirley Paes Leme, Ricardo Ribenboim, Arthur Omar, Diana Domingues, Patrícia Furlong e Rosana Moneratt.De acordo com Lulu Librandi, assessora da presidência da Fundação Memorial da América Latina, o governo do Estado de São Paulo desembolsou cerca de US$ 50 mil para o transporte e instalação das obras e apoio aos artistas, que não estão articulados por nenhuma curadoria específica. De acordo com ela, o Ministério da Cultura (Minc) financiou oito passagens que foram sorteadas entre o grupo brasileiro. Os não contemplados estão bancando as próprias passagens. Hélio Oiticica, uma das poucas grifes históricas da Bienal, terá uma sala especial em um velho forte no centro de Havana, graças a uma solicitação de Nelson Herrera Ysla, curador da exposição desde a sua primeira edição, em 1984. Além do Espaço é o nome da homenagem que custou R$ 129 mil financiados pela Petrobrás.A sala especial terá cerca de 70 obras, entre Penetráveis, Bólides e Parangolés criados entre as décadas de 60 e 80, emprestados do Centro de Arte Hélio Oiticica.Réplicas dos parangolés serão utilizadas por Paulo Ramos diretor de arte da Mangueira, que se apresentará para o público na doca localizada em frente do velho edifício. O artista também comandará a Oficina Parangolé, uma das ações educativas que integram o projeto. O outro homenageado da edição é o grafiteiro Jean Michel Basquiat, artista que terá sua sala financiada pela galeria francesa Navarro.A Bienal de Havana terá performances de filipinos e israelenses no mesmo dia de mostras históricas de cartazes, revistas e livros locais. Da mesma forma, entre apresentações de conjuntos de música tradicional da ilha, o Brasil participa com uma pequena mostra de filmes, a Muestra Itinerante de Cine Brasileño. Organizada pela Fundação Memorial da América Latina, a reunião começa no dia 19 com o filme Dois Córregos, de Carlos Reichenbach, que será exibido no Cine Chaplin. Até o dia 29, serão mostrados Policarpo Quaresma, de Paulo Thiago, Fé, de Ricardo Dias, Kenoma, de Eliane Caffé, e Boleiros, de Ugo Giorgetti.

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