Começa hoje em SP mostra de filmes do Blaxploitation

Durante os anos 70, sobretudo no início daquela década, uma espécie de onda black power invadiu os cinemas dos Estados Unidos. Chamado de Blaxploitation, o nome desse movimento cinematográfico americano vinha da união de duas palavras em inglês: black (negro) e exploitation (exploração). A exploração virou a explosão negra. Dessa safra, surgiram clássicos do gênero, como "Rififi no Harlem", de 1970, o primeiro filme do Blaxploitation, "Super Fly", que fez US$ 20 milhões nas bilheterias americanas em 1972 (desbancando o primeiro filme da trilogia "O Poderoso Chefão", de Francis Ford Coppola), além de "Sweet Sweetback''s Baadasssss Song", "Shaft", "Cleópatra Jones", "Foxy Brown", entre outros.

AE, Agência Estado

03 de novembro de 2011 | 11h34

Focando em especial os exemplares inaugurais desse movimento - certamente os mais relevantes na construção de toda uma estética e linguagem -, a mostra "Tela Negra - O Cinema do Blaxploitation" exibe 15 filmes, grande parte deles em película, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), a partir de hoje, e no CineSesc, a partir do dia 18. A seleção inclui os clássicos já citados e também uma obra-tributo de 1997, "Jackie Brown", dirigida por Quentin Tarantino e estrelada por Pam Grier, uma das musas blaxploitation, em filmes como "Foxy Brown" (1974) e "Coffy" (1973). "Desde o primeiro filme de Tarantino, você vê influência desse gênero, como em Cães de Aluguel", observa Vik Birkbeck, uma das curadoras da mostra, ao lado de Arndt Roskens.

Organizado por diretores negros, o movimento cinematográfico colocou em evidência heróis e anti-heróis negros, tanto homens quanto mulheres, protagonizando filmes e fazendo sucesso como os donos da história, em tramas com muita ação, tiros e pancadaria. Mas para entender o surgimento do Blaxploitation, é preciso entender o panorama político e social que o antecedeu. "A grande explosão do movimento de direitos civis dos negros foi nos anos 60, com Malcolm X, Martin Luther King e Os Panteras Negras (polêmico grupo revolucionário que se voltava contra a violência racista branca e lutava pelos direitos da população negra)", lembra Vik. Além disso, durante aquela década, muitos países africanos até então colonizados se tornaram independentes.

Havia chegado, enfim, a hora dos negros mostrarem seu valor. O Blaxploitation foi reflexo desse sentimento e encontrou campo favorável para crescer. Primeiro dessa série, "Rififi no Harlem" foi rodado com orçamento modesto e arrecadou US$ 15 milhões nas bilheterias, o que chamou atenção para o fato em si e, claro, para o novo gênero. "Shaft era para ser estrelado por um ator branco, mas, depois do sucesso desses filmes, escalaram um negro", conta Vik. Em 1971, Richard Roundtree ficou com o papel do detetive particular Shaft, que sai em busca da filha desaparecida de um mafioso. O filme teve duas sequências, "O Grande Golpe de Shaft" (1972) e "Shaft na África" (1973), que também serão exibidos.

Vale uma nota especial às mulheres do Blaxploitation, que de sexo frágil não tinham nada. Elas pegavam em armas, batiam, lutavam, sem perder a feminilidade. Pam Grier, em "Foxy Brown" e "Coffy", e Tamara Dobson, a "Cleópatra Jones", não deixam mentir. As informações são do Jornal da Tarde.

Tela Negra - O Cinema do Blaxploitation - De hoje a 13/11. CCBB-SP (Rua Álvares Penteado, 112), Tel. (011) 3113-3651. Ingressos: R$ 4 e R$ 2.

De 18 a 24/11. CineSesc (Rua Augusta, 2.075). Tel. (011) 3087-0500.

Ingressos: de R$ 2 a R$ 12.

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