Começa festival de teatro de São José do Rio Preto

O grupo mineiro Galpão abre nesta sexta-feira o Festival Internacional de São José do Rio Preto com Um Molière Imaginário. Como nas edições anteriores, a apresentação será ao ar livre e com acesso grátis ao anfiteatro localizado à beira da represa que, como sempre, deve lotar de espectadores de todas as idades. "A abertura do festival é um momento de celebração, de reunião das famílias da cidade. Esse espetáculo não poderia ser mais apropriado: diverte, tem a qualidade do Galpão e é um Moliére", diz Jorge Vermelho, diretor do Fit Rio Preto.Até o dia 23, montagens internacionais e nacionais, de diversas cidades de País - entre elas Porto Alegre, Arapiraca, Rio, Belo Horizonte, Juazeiro e Londrina - passam pela programação do evento. E vão ocupar palcos tradicionais, ruas, praças e sobretudo ´espaços de representação´, ou seja, territórios transformados em artísticos pelo desejo da parceria público/atores.Por exemplo, uma seringueira, de verdade, será cenário da peça Les Feuilles qui Résistent au Vent (As Folhas que Resistem ao Tempo) da Cia. Koffi KôKô, de Benin, que será encenada no chão de terra, sob essa árvore. "Essa peça parte de uma lenda nigeriana para falar da resistência do ser humano que segue vivendo mesmo quando sacudido pelo vento", explica Vermelho. Não por acaso, o tema desta 6.ª edição do Fit é territórios X estratégias. "Um dos critérios da nossa programação é a busca constante pela diversidade, pelas diferentes possibilidades de expressão cênica e pela descaracterização do teatro como arte estritamente feita em salas", diz Vermelho.Outra perseguição dos organizadores é estreitar os laços entre moradores da cidade e o festival. Daí a ocupação de espaços que vão desde a já tradicional abertura na represa até performances como Uroborus, que pretende alimentar 192 horas ininterruptas de apresentação, com a participação de voluntários, em plena rodoviária local. "O festival começa amanhã e hoje estão vendidos 80% dos ingressos", comemora o diretor.A chamada Estação Russa - uma mostra de teatro que vai trazer cinco espetáculos de Moscou graças à parceria entre o Festival Internacional de Teatro Tchekhov e à Funarte - será aberta em Rio Preto com a apresentação de Noite de Reis, dirigida por Declain Donelan, diretor que é considerado uma referência em montagens shakespeareanas na Europa.Já tendo passado pelo Festival de Londrina (Filo), Cuentos Pequeños, do Peru, é uma montagem a um só tempo simples e deslumbrante, um teatro de bonecos criados com joelhos e mãos dos atores. Além da forma original, são deliciosas as curtas histórias contadas em cena. O público infantil não ficou esquecido e desta vez há uma mostra só para ele com peças que prometem surpreender como Quem Tem Medo, que vem do Recife, e promete uma desconstrução do clássico Chapeuzinho Vermelho.A região Nordeste tem forte e importante presença no evento. Também do Recife, as atrizes do espetáculo Caetana (que significa morte na linguagem regional), que conquistaram o público na mostra de Londrina, aceitaram o desafio de apresentar ao ar livre essa divertida peça que flagra o comportamento de uma rezadeira quando a ´Caetana´ vem chamá-la para fazer a ´passagem´. Dois bons palhaços de Arapiraca (AL)e a já famosa Carroça de Mamulengos de Juazeiro no Norte (CE) também estão entre os participantes.Promete ousadia de linguagem A Acusação, encenação da mineira Ione Medeiros inspirada em O Processo, de Kafka, que recentemente trouxe a São Paulo uma ótima montagem de A Serpente, de Nelson Rodrigues. Enquanto os mineiros do espetáculo de rua Êh Boi vão fazer o público dançar. Não menos importante é a estréia nacional, que será feita no evento, de O Invisível, peça inédita de Samir Yazbeck. O FIT é uma realização da prefeitura de Rio Preto e do Sesc São Paulo.

Agencia Estado,

14 de julho de 2006 | 12h33

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