Começa campanha de popularização do teatro em SP

Com 27 anos de existência, muito tempo em se tratando de um evento ligado à produção teatral brasileira, começa nesta quarta-feira a Campanha de Popularização do Teatro - 2000. Como ocorre desde a sua criação, em 1973, dezenas de espetáculos passam a ser oferecidos a preços promocionais.O público já se acostumou. Fim de ano é tempo de ver, a preços bem mais em conta, atores consagrados como, por exemplo, Paulo Autran e Cássio Scapin no ótimo espetáculo Visitando o Senhor Green - um privilégio que, em muitos casos, o orçamento apertado do mês normalmente não permitiria. E é ainda um bom momento para arriscar conhecer novos atores ou novos textos. "Muitas vezes, a pessoa quer ir ao teatro, mas teme pagar caro e depois não gostar", comenta Atílio Bari, diretor da Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de São Paulo (Apetesp) e coordenador do evento. "Com o preço mais em conta, arrisca mais e, na maioria das vezes, acaba gostando do que vê."Até o fim de dezembro, muitos espetáculos devem aderir à campanha. É bom estar sempre conferindo pelo telefone 255-3783. Por meio desse mesmo número telefônico, o espectador pode também informar-se sobre horários, endereços de teatro, de postos de venda ou até reclamar, caso sofra alguma discriminação no momento de trocar seu ingresso na bilheteria."Nos postos, o público ganha um vale ingresso, que pode ser trocado com até uma semana de antecedência na bilheteria", avisa Bari. "Mas sabe como é o brasileiro... A maioria deixa para trocar na última hora." A campanha garante ao espectador o direito de escolher seu lugar por ordem de chegada na bilheteria. "Qualquer desrespeito a essa norma pode e dever ser denunciado", afirma Bari.Para o espectador, a campanha melhora a cada ano, com mais comodidade, por exemplo, ao utilizar recursos como a informatização e oferecer ingressos em postos de venda que funcionam 24 horas. Já para os produtores, algumas coisas têm piorado. Nos dois últimos anos, a campanha foi às ruas sem o tradicional apoio da Secretaria Estadual da Cultura. Isso significa que as produções baixam os preços de bilheteria sem nenhuma contrapartida. Ou seja, ganha-se menos na bilheteria.Além disso, as produções ainda repassam 15% do valor dos ingressos promocionais vendidos para a Apetesp, como forma de custear as despesas da campanha. "Com funcionários, divulgação e vendas a Apetesp tem despesas em torno de R$ 15 mil", comenta Bari. Por que ainda assim os produtores decidem participar? "Ao longo dos anos, o público passou a esperar e até cobrar pela campanha", afirma Marcus Caruso, presidente da Apetesp."Os produtores sabem que essa é uma boa forma de ampliar o seu público, levar ao teatro gente que não tem o hábito de freqüentá-lo", diz. "E não adianta baratear isoladamente; tem de ser um evento mais amplo, para atrair a atenção dos espectadores", argumenta Bari.A campanha de popularização do teatro foi criada em 1973 - e funcionava unicamente no mês de dezembro - para manter uniforme o faturamento nas bilheterias do teatro que tendia a cair no período de festas, quando boa parte do público estava mais para compras de Natal do que para ingresso de teatro. Com o tempo, a campanha foi estendida ao mês de novembro. Bom para o público. Nem tanto para o teatro, já que essa ampliação de prazo é sintomática da antecipação da queda de bilheteria, antes restrita ao mês de dezembro.Da mesma forma, quando a campanha surgiu a recém-criada Apetesp - fundada em 1972 - era de fato uma associação de produtores teatrais. "Atualmente, a Apetesp tem 130 sócios, a maioria deles atores, diretores ou dramaturgos que produzem seus espetáculos", diz Caruso. A figura do produtor profissional está em extinção. Empresários teatrais como Sérgio Dantino, Paulo Pelico e Billy Bond são exceções que confirmam a regra. Segundo Caruso, a ausência da política cultural no País tende a piorar as coisas. Apesar disso, o lema é resistir. A campanha está nas ruas. Para o público, é aproveitar.Campanha de Popularização do Teatro - 2000 Ingressos para vários espetáculos em cartaz na cidade com preços de R$ 5,00 a R$ 10,00. Vendas de segunda a domingo, das 13 às 19 horas. Posto Central Apetesp. Rua Paim, 72; de segunda a sexta, das 9 às 21 horas e sábado, até 20 horas. Shopping Light. Praça Ramos de Azevedo, s/n.º; diariamente, das 10 às 22 horas. Posto Tim. Rua Cantagalo, 1.943; Postos BR-Mania - 24 horas: Vila Mascote. Avenida Vereador João de Lucca, 47; Posto RS. Avenida Washington Luís, 5.955; Cartagena. Rua General Chagas Santos, 961; Flor de Goiás. Avenida Conselheiro Carrão, 1.624. Informações pelo tel. 255-3783. Até 17/12.

Agencia Estado,

31 de outubro de 2000 | 16h56

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