Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Começa a venda do CD especial de José Agrippino de Paula

O artista morreu em 2007 e deixou dez faixas reunidas sob o título de 'Exu 7 Encruzilhadas'

O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2012 | 03h10

Em novembro de 2008, o Estado noticiou uma descoberta que deixaria muita gente insone nos últimos quatro anos: o cultuado guru tropicalista José Agrippino de Paula (1937-2007), além de ter legado uma obra que compreende cinema, literatura, dança, filosofia, teatro, happening e artes visuais, também fizera música. Todos os que apreciavam a obra do "Bruxo do Embu" ficaram loucos para ouvir o som.

Pois bem: chegou a hora. As dez faixas, gravadas na casa do artista na Rua Goitacás, em São Paulo, em 1971, com um gravador Akai estéreo, estavam reunidas sob o título Exu 7 Encruzilhadas. Recuperadas pelo Selo Sesc, estarão à venda a partir de hoje na forma de um CD especial (que inclui um DVD com dois curtas, Candomblé no Dahomey, de 1978, e Candomblé no Togo, de 1972, mais entrevistas com o autor feitas por Miriam Chnaiderman e Lucila Meirelles).

O mais espantoso é que a música resgatada parece vir para complementar uma faceta crucial da busca artística de Agrippino, uma faceta que agora se revela por inteira no megaevento Exu 7 Encruzilhadas, no Sesc Belenzinho. "Aqui se misturam ecos de batuque de candomblé e canto de teatro kabuki, mantras indianos e poesia sonorista dadá, festa tribal e melodias árabes", anotou o compositor e músico Arnaldo Antunes.

"Esta é a primeira vez que a música de Agrippino vem a público, numa edição integral que prezou pela fidelidade ao material original registrado analogicamente", disse Danilo Miranda, diretor regional do Sesc. O artista, embora não se divulgue com frequência, esteve na origem do pop nacional, ao escrever o roteiro de O Planeta dos Mutantes, em 1969.

No verso da fita de música que deixou, Agrippino anotou: "Não ouça música, bicho. Faça seu barulho!", uma espécie de antecipação do mandamento básico "do it yourself" do punk rock. "Como se incorporasse os versos 'eu não sei fazer música, mas eu faço'", disse Arnaldo Antunes.

O lançamento da caixa Exu 7 Encruzilhadas é a ponta mântrica da jornada Agrippino do Sesc Belenzinho, que começou ontem. São quatro dias de projeções de filmes (inclusive o inédito O Balcão, filme inacabado de 1969), espetáculos de dança, música, oficinas literárias, discussões e bate-papos informais abrangendo toda a riqueza da obra de Agrippino. A música é o elemento desconhecido.

Duas obras-chave de Agrippino serão revisitadas: o livro Panamérica (1967) e o espetáculo multimídia Rito do Amor Selvagem (1969), obras que, segundo o cineasta Carlos Reichenbach, "deflagraram uma revolução mental e sensível na minha geração". Panamérica foi um exercício radical de literatura, na qual Agrippino faz uma aproximação dos mitos clássicos e dos símbolos da cultura hollywoodiana com uma sem-cerimônia nunca vista.

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