Começa a reforma da Estação da Luz

Quase três anos depois de anunciado o projeto, finalmente começou a reforma da fachada da centenária Estação da Luz, no centro de São Paulo. O plano de restauro da fachada, da arquiteta Helena Saia, só agora foi aprovado integralmente pelos órgãos de defesa do patrimônio histórico (o projeto arquitetônico é de Paulo e Pedro Mendes da Rocha). As obras incluem recuperação de esquadrias, torrões, restauro artístico e revitalização da fachada de 120 metros quadrados. Deverão estar concluídas em janeiro de 2004. A reforma da fachada da gare, que agora vai chamar-se Estação Luz da Nossa Língua, foi anunciada ontem por diversas personalidades, entre elas o ministro da Cultura, Gilberto Gil."Uma política da língua não pode se resumir a tratados ortográficos", disse o ministro, que salientou a necessidade de a questão da valorização da língua portuguesa ser uma ação de interesse "estratégico" para o Brasil, maior país entre os oito integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Cerca de 200 milhões de pessoas falam o português no mundo todo.Mas Gil também aproveitou a deixa para criticar a "apropriação" dos recursos públicos da Lei Rouanet pela iniciativa privada. Ele lembrou que 60% dos R$ 30 milhões destinados ao projeto da Estação da Luz são oriundos da renúncia fiscal e, portanto, são recursos públicos. E afirmou que o Ministério vai "liderar diretamente os projetos em que os recursos somam mais de 50% do total do projeto". Perguntado se isso significava que o MinC ia imiscuir-se diretamente nas etapas de um projeto, Gil negou. "O que eu disse é que o Ministério tem de estar presente nos projetos. Tem de haver conhecimento público, destaque e a participação qualificada do MinC em qualquer projeto onde a renúncia fiscal esteja presente."Para a secretaria de Estado da Cultura, responsável pela idéia, a reforma atende às novas prioridades da secretária Cláudia Costin. "Há no projeto uma possibilidade de reflexão sobre a língua que precede o esforço de leitura", disse Cláudia. Ela e o secretário de Educação, Gabriel Chalita, querem que a agenda da Estação da Língua coincida com o calendário escolar - a estação será também um centro de capacitação de professores.José Roberto Marinho, diretor-geral da Fundação Roberto Marinho (um dos idealizadores do projeto de restauração), disse que diversas pesquisas apontaram a estação como um dos símbolos da cidade. A fundação considera que a Estação Luz da Língua é um "projeto de Estado, um plano geopolítico que não existe." Segundo Marinho, "o ministro Gil, que, na música, é antes de tudo um grande poeta, sinaliza essa importância."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.