COMEÇA A FESTA DOS 100 ANOS DE MÁRIO LAGO

Perdidas no século 20, dez canções carnavalescas de Mário Lago com os parceiros Braguinha, Custódio Mesquita, Benedito Lacerda, Chocolate e Roberto Roberti foram resgatadas para os festejos do centenário de seu nascimento.

ROBERTA PENNAFORT / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2011 | 03h06

A data é hoje, mas o projeto Mário Lago, Homem do Século 20 - tocado por seus filhos e inclui exposição, reedições de livros, shows, uma peça de teatro e um documentário -, estende-se até o fim de 2012, quando se completam dez anos de sua morte. Em São Paulo, as comemorações começam no dia 2 com o projeto O Autor na Praça, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, com exibição de vídeos, leituras de textos e poemas e música.

Em janeiro, no Rio, sai o CD Folias do Lago, com participação, entre outros, de Ney Matogrosso, Roberta Sá, Eduardo Dusek, Áurea Martins, Marcos Sacramento e Pedro Miranda, sobre a base instrumental do Cordão de Boitatá. O único clássico é Aurora (Lago/Roberto Roberti). Arranjadas por um time de especialistas, as outras faixas são músicas sem a dimensão de uma Ai, Que Saudades da Amélia ou Atire a Primeira Pedra (as duas com Ataulfo Alves). Décadas depois, soam como inéditas.

Eu Quero Ver É a Pé, parceria com Roberto Roberti, acabou esmagada em 1941 por Alalaô (Nássara/Haroldo Lobo), uma das marchas mais populares de todos os tempos, diz Mariozinho Lago (Filho), à frente do projeto. Braço É Braço, homenagem ao Cordão da Bola Preta, instituição do carnaval do Rio desde 1918, é dos anos 30, mas a melodia de Nelson Barbosa se extraviou, e Kelly fez nova recentemente. "Não tem nenhuma música mais ou menos", promete Kiko Horta, um dos arranjadores.

Com pré-lançamento num baile carnavalesco hoje, na sede do Cordão da Bola Preta, no centro do Rio, às 21 horas, o CD, assim como a reimpressão do livro de memórias Na Rolança do Tempo, da década de 70, e o seminário Mário Lago: Síntese de Um Século, realizado pelo Museu da Imagem e do Som e a Casa de Rui Barbosa, constituem a primeira parte do projeto a sair do papel. "No horizonte finquei seta", escreveu Lago, agora homem também do século 21.

O ponto de partida oficial foi a festa no clube amado por Lago, o Fluminense, ontem, com a presença de artistas também tricolores, como Cristina Buarque (o irmão, Chico, telefonou dizendo que não participaria por estar na Europa), Delcio Carvalho e Wilson Moreira.

"Era um projeto suicida, mas vamos fazer tudo. O mais difícil será a peça de teatro (Foru Quatru Tiradente na Conjuração Baiana). Mas todo mundo que se comprometeu está dizendo: se tiver dinheiro, ótimo; se não tiver, tudo bem. É uma insanidade geral", brinca Mariozinho. Ele calculou o investimento em R$ 4 milhões, valor que ainda tenta captar. Só o documentário sobre Lago, a cargo de Marco Abujamra, foi orçado em R$ 900 mil.

O Arquivo Nacional, que guarda seu acervo, fará uma mostra entre março e maio. A série de 30 shows pelo Estado do Rio, com repertório de Lago e Cristina Buarque e o grupo Tempero Carioca na linha de frente, deve ocorrer entre maio e julho de 2012. Joyce e Delcio já fizeram melodias para poemas inéditos que entrarão em outro CD. Lago terá ainda outros parceiros de peso, como Caetano Veloso, Arnaldo Antunes e Mart'nália.

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