Começa a Arco, feira de arte contemporânea de Madri

Com Brasil como convidado, MinC investe R$ 2,6 mi em programação de arte nacional na capital espanhola

Camila Molina, de O Estado de S.Paulo,

13 Fevereiro 2008 | 20h53

A 27ª Arco - Feira Internacional de Arte Contemporânea de Madri, teve nesta quarta-feira, 13, sua primeira inauguração para a imprensa local e internacional e convidados.   Sob o desconforto de notícias veiculadas na imprensa espanhola de que a tradicional feira de arte não aceitou a participação de 26 galerias de seu país - e que também, por esse motivo, o Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia e os órgãos de Valencia e da Andaluzia não comprariam nenhuma obra na 27ª Arco como protesto -, a diretora do evento, Lourdes Fernández, não quis comentar o assunto.   Disse que a feira está passando por um momento de transformação (esse ano, inclusive, está abrigada em dois novos pavilhões do Ifema, Parque Ferial de Madri) e que foi difícil deixar tantas galerias (espanholas e estrangeiras) de fora dessa edição, orçada em 8 milhões de euros e que conta com a participação de 295 galerias - para se ter uma idéia, a última Bienal do Mercosul, realizada em Porto Alegre, teve orçamento de R$ 12 milhões e a próxima 28ª Bienal de São Paulo, que ocorrerá este ano, será feita com montante em torno de R$ 9 a 10 milhões.   Enfim, a Arco é um evento grande, que movimenta uma enorme cifra de dinheiro. Tanto Lourdes quanto o presidente da Ifema - o conjunto de feiras de Madri em que se inclui a Arco -, Fermín Lucas, estão otimistas em relações às vendas de obras de arte que movimentarão a feira, a ser aberta para o público na sexta-feira (dia 15) e que termina no dia 18 - (na quinta-feira, 14, ocorrerá a segunda inauguração, com a presença do rei Juan Carlos I e Dona Sofia e do ministro da cultura Gilberto Gil).   O próprio Ministério da Cultura brasileiro investiu R$ 2,6 milhões numa programação de arte nacional em Madri, já que o evento principal tem o Brasil como país convidado dessa edição da Arco.   "As instituições espanholas se interessam muito pela arte concreta e neoconcreta brasileira", afirmou Lourdes, completando que ainda muitos artistas brasileiros contemporâneos são desconhecidos no mercado e que esta é uma oportunidade para se dar mais visibilidade para eles.   Gil, que chegou atrasado para a coletiva de imprensa geral, mas que falou a tempo com jornalistas que souberam de sua repentina chegada, reforçou que "as feiras existem para aproximar a criação do mercado" e que é papel do MinC "fazer as mediações" entre a cultura e o eixo econômico - essa era uma resposta à pergunta de por que o ministério ter investido dinheiro em uma feira comercial, que, afinal, vai reverter dinheiro para, principalmente, galeristas.   Brasil na Espanha   Os bons resultados do eixo cultura e mercado é uma idéia vigente entre todos os envolvidos nas atividades de fevereiro que incluem o Brasil na Espanha. O crítico Paulo Sergio Duarte, curador, ao lado de Moacir dos Anjos, da mostra oficial brasileira na Arco feita com recursos do MinC e com a participação de 32 galerias, afirmou que se não fosse "essa sinergia positiva" entre a Arco e o Brasil, não seria possível desencadear uma programação paralela de arte brasileira em Madri, como ocorre agora. "É a primeira vez que um artista brasileiro (José Damasceno) faz intervenções próprias em um espaço cultural como o Museu Reina Sofia", diz Duarte, sobre a exposição 'Coordenadas e Aparições', formada por nove obras feitas pelo artista carioca para dialogarem com diferentes lugares do grande museu - suas intervenções sutis e inteligentes ficam abrigadas por espaços públicos do edifício.   Mas, enfim, a toada é firmar laços cada vez mais fortes com a Espanha, que vem se tornando um importante parceiro financeiro do Brasil no âmbito cultural. Para além do mês de fevereiro, outra ação será a realização, em 2009, não de um chamado Ano da Espanha no Brasil, como anunciou anteriormente e (exageradamente) o MinC, mas um festival com duração menor da arte espanhola em território brasileiro.   Entre os eventos, estão incluídas, no âmbito dos museus (esse é um braço forte do MinC, com investimento em 2007 de R$ 160 milhões) mostras com obras das importantes instituições espanholas, o Museu do Prado e Reina Sofia, em São Paulo, Rio, Brasília e uma quarta cidade, segundo o diretor do Departamento de Museus do Iphan, José do Nascimento Junior.   A repórter viajou a convite do Ministério da Cultura

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