Com uma hora de atraso, acrobatas decepcionam

Na passagem da madrugada de sábado para o domingo, um campo de futebol suspenso em frente do prédio da Prefeitura, no Viaduto do Chá, chamava a atenção do público. No ano de Copa do Mundo - e sendo o futebol a paixão dos brasileiros -, era inevitável que uma grande plateia se formasse para ver a partida em pleno ar encenada pelo grupo paulistano Acrobático Fratelli. A primeira das quatro apresentações dos acrobatas estava marcada para as 0h30, mas, afinal, o show atrasou, começando, de fato, à 1h20.

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2010 | 00h00

"Trouxemos até esses banquinhos, que compramos por R$ 18, para ver o jogo, imaginando como seria. Só que vamos embora", disse, lá pela uma da manhã, a funcionária pública Carla Farinazzi, de 36 anos. Ela tinha vindo com mais quatro pessoas da cidade de Marília - "a 450 quilômetros de São Paulo" - só para a Virada Cultural. Queriam dormir para ver no outro dia o show da cantora Pitty, às 9h30.

Surreal. Quase uma hora de atraso, com música de fundo e projeção de imagens na fachada da Prefeitura, uma acrobata saiu como que flutuando na noite, suspensa por cabos de aço, do prédio do Shopping Light. "Parece uma fada", diz a menina Carolina Lipares, de 8 anos, encantada e apreensiva com a ação da performer. A acrobata tinha consigo uma grande bola roxa, simbolizando um planeta, e seu percurso terminava no alto da Prefeitura. De lá daquele ponto do edifício, oito acrobatas desceram lentamente em rapel, cada um deles com uma bandeira de uma cor, até o chão. Eram esses os preparativos oníricos para, afinal, a grande partida - os mesmos acrobatas, depois vestidos com uniformes que remetiam aos times do Brasil e da Argentina, começaram a jogar suspensos por cabos de aço.

Fez-se, então, uma "pelada" surreal no campo de futebol vertical em pleno ar. Numa perspectiva inusitada, os integrantes do Acrobático Fratelli jogavam de forma bem-humorada, com movimentos lentos, instigando que as pessoas se tornassem torcedoras. E elas se tornaram, só que a partida foi bem curta, de apenas uns 5 minutos. Deu 1 x 0 para o "Brasil" de verde-amarelo, mas o público ficou com gosto de "quero mais". "Criou-se mais expectativa para pouca diversão", disse Marcelo Alves, de 37 anos, pai de Carolina. Mesmo assim, na maratona de performances de rua da Virada, o Fratelli foi um destaque assim como a apresentação com insetos gigantes do grupo espanhol Sarruga, no Vale do Anhangabaú.

Ciranda e frevo. Passada a madrugada de tumultos e falta de segurança pelas ruas do centro da cidade, era um programa-família a apresentação do Balé Popular do Recife no palco da Praça da Luz, às 11h30 de ontem. "Balé não é só coisa de menina, pode ser bem diferente", disse o maestro Antúlio Madureira, que, à frente do grupo, embalou uma hora de show de cultura brasileiro-nordestina mesclando música e dança de todos os tipos - maracatu, frevo, afro, indígena, ciranda e ainda mais.

Na apresentação eclética e animada, dançarinos apareciam no palco, a cada número, com roupas cada vez mais coloridas. As músicas e os instrumentos musicais também eram cada vez mais diversos - de forma inusitada, Antúlio tocou até a Ave Maria de Schubert usando um serrote.

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