Marina Najjar/ Cris Barros/ Divulgação
Marina Najjar/ Cris Barros/ Divulgação

Com peças em edição limitada, Cris Barros reinventa a moda de luxo nacional

Fiel ao seu estilo chique e cool, a estilista lança coleção Sem Fronteiras resgatando memórias de viagens e consolida a marca que dirige ao lado da irmã, Daniela Barros Verdi

Maria Rita Alonso, Especial para O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2018 | 06h00

especiais de sua nova coleção, Sem Fronteiras, estão sete casacos customizados com bordados suzani, vindos diretamente do Usbequistão. Eles fazem parte da linha Limited,  que traz as modelagens mais trabalhadas, os tecidos mais refinados – e os preços, naturalmente, mais altos. O lançamento está marcado para o dia 3 de outubro.

São peças emblemáticas para explicar como a estilista se tornou o maior nome atual da moda de luxo do Brasil. Explorar o conceito de exclusividade é justamente um dos segredos do sucesso de sua marca homônima, fundada em 2002, com criações baseadas em uma ampla gama de modelos produzidos em pequenas quantidades. “Desenho as estampas e cerca de 40% dos tecidos, especialmente os que têm bordados, vazados e guipire”, diz ela. “Começamos a pensar em uma coleção com oito meses de antecedência.”

Nesta linha restaurada de casacos antigos, Cris colocou forros de linho coloridos e sofisticados, mas respeitou as técnicas artesanais, abraçando um movimento de produção em voga, o upcycling, que prega a reutilização criativa de materiais têxteis. “Sempre tive uma paixão por lugares de  etnias e culturas diferentes”, conta. 

Para a criação da coleção   Sem Fronteiras, Cris usou como referências as lembranças dessas viagens exóticas, mesclando inspirações e unindo técnicas de confecção. “Não queria amarras”, diz ela. Um casaco comprado no deserto marroquino, produzido há mais de 100 anos, virou estampa. Os bordados foram criados a partir de trabalhos da Ásia Central.

Fiel ao seu universo criativo, Cris fez de sua marca uma extensão de seu próprio estilo, que mistura a elegância da alfaiataria típica da moda de São Paulo com a descontração e a fluidez do Rio de Janeiro. “Como sou metade paulista, metade carioca, tenho uma influência enorme das duas cidades”, conta ela, que cresceu em São Paulo, cercada pela família da mãe, que era do Rio.

“As roupas da Cris fazem sucesso porque aparentam simplicidade, leveza e até conforto, mas possuem arquitetura complexa de modelagem e são extremamente femininas”, diz a irmã Daniela Barros Verdi, que cuidou do processo de expansão da marca. Em uma sociedade bem-amarrada com Daniela e o cunhado financista Luiz Felipe Verdi, Cris viu sua companhia crescer e se estabelecer. Hoje, são mais de 250 funcionários, nove lojas próprias e cerca de 80 pontos de venda em multimarcas pelo Brasil.

Poucos estilistas de sua geração podem se orgulhar de ter um negócio deste tamanho. Nos últimos anos, grandes nomes da moda brasileira, como Alexandre Herchcovitch e Marcelo Sommer, venderam suas empresas para grupos em negociações que nem sempre deram certo. Ela seguiu um caminho diferente, apostando em peças na faixa de R$ 1.500, ignorando a São Paulo Fashion Week e investindo em uma comunicação focada em lookbooks artísticos. Deu certo e ela não para. 

Aos 46 anos e um mês depois de dar à luz sua primeira filha, Gaia, Cris segue recebendo a equipe e trabalhando de casa. A pintura que fez no quarto da bebê diz muito sobre sua moda. Tem fadas, ciganas, princesas e sereias. Todas com vestidos de sonhos, como os da mãe. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.