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Com novas dimensões

Projeto do Complexo Cultural da Luz será reduzido em cerca de 30%

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2011 | 00h00

A longa novela que envolve o Complexo Cultural da Luz acaba de ganhar um novo capítulo. Lançado com alarde no final de 2008, o projeto do grandioso teatro assinado pela dupla de arquitetos suíços Herzog&DeMeuron deverá agora ser reduzido em cerca de 30%. Seus 101 mil m² de área construída serão redimensionados para não ultrapassar os 71 mil m². "Não será um corte, mas um retorno à concepção original", justifica o secretário de Estado da Cultura, Andrea Matarazzo.

De acordo com ele, a primeira proposta apresentada pelos arquitetos suíços teria recebido, ao longo do tempo, alguns adendos que foram eliminados nessa nova configuração.

A primeira versão do projeto a ser divulgada, contudo, já previa alguns dos itens que foram retirados. É o caso do espaço a ser destinado a uma futura escola de dança. E também uma central de produção de cenários.

Documentos obtidos pelo Estado mostram que essas áreas já constavam do primeiro contrato que o escritório de Jacques Herzog e Pierre de Meuron assinou com o governo estadual em 2008. Faziam parte do programa original que a própria Secretaria de Cultura encomendou ao Theatre Projects Consultants - empresa de consultoria inglesa - em agosto daquele mesmo ano.

Também ficarão de fora do complexo salas de ensaio que seriam cedidas a outras companhias. Ficam inalteradas as áreas destinadas à São Paulo Cia. de Dança e à Escola de Música Tom Jobim, assim como as três salas de espetáculos: um teatro experimental de 400 lugares, uma sala para recitais e espetáculos teatrais de 600 lugares e uma grande sala para ópera e dança, para 1.750 pessoas.

Para Matarazzo, os cortes servirão para reduzir os valores gastos na manutenção do prédio e o custo do projeto. Seu valor, orçado em R$ 600 milhões, poderia chegar a algo em torno de R$ 500 ou R$ 450 milhões. A construção continua a contar com financiamento do BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento e do BNDES - Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social.

O secretário prevê o início do processo de licitação para março de 2012, data em que o escritório suíço deve entregar o projeto executivo. "A obra levará cerca de três anos", estima ele.

É a primeira vez que Matarazzo fala abertamente sobre seus planos para o Complexo Cultural da Luz - maior e mais ambiciosa herança que recebeu de seu antecessor, João Sayad. O destino da construção em frente à Sala São Paulo permanecia incerto desde o início deste ano. À época, o projeto foi suspenso para ser submetido à análise do governador Geraldo Alckmin. "Até pela envergadura do investimento, o projeto precisa ser rediscutido. Essa é uma definição a ser tomada pelo governador", declarou o secretário em janeiro.

Agora, aparentemente, o Complexo passou pelo crivo do Palácio dos Bandeirantes. "Temos a sua aprovação. Vai sair, sim", garante o secretário.

O que também parece estar assegurado para 2012 é o orçamento da São Paulo Cia. Dança, que deve permanecer em R$ 14 milhões. No início do ano, a redução do aporte - que estava inicialmente previsto para R$ 18 milhões - gerou atritos entre o grupo e a secretaria. "Não houve cortes, apenas um realinhamento. Nós mudamos um pouco a diretriz da secretaria e a companhia se alinhou a isso", esclarece ele. Sua gestão tem pedido uma ênfase da SP Cia. de Dança em suas turnês pelo interior do Estado.

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