Com mercado aquecido, leilões de arte têm preços variados em SP

Tem Di Cavalcanti por 450 mil reais,e Oscar Niemeyer por 2 mil. Tem também cachimbo do século 19 a100 reais, e vaso chinês por milhões de reais. Com o mercado aquecido, segundo especialistas, dois leilõesmovimentam o mercado das artes em São Paulo nesta semana,trazendo artistas modernistas e contemporâneos, além de objetosde decoração atuais e de 500 anos atrás. O leiloeiro James Lisboa, que trabalha no setor há mais de30 anos, faz seu pregão (www.escritoriodearte.com) nesta noitede terça-feira, com quase 200 peças. "Temos oscilações de preços dando oportunidade para quetodo mundo possa comprar. Tem um quadro de 100.000 reais, mastambém tem de 1.000 reais", disse Lisboa à Reuters em seuescritório no sábado, onde exibia as telas que irão a leilão. Quatro telas de Emiliano Di Cavalcanti, com lances iniciaisde 450 mil e 140 mil reais, dividiam o mesmo espaço comcontemporâneos como Tunga e Vik Muniz, cuja obra feita dechocolate, formando o rosto de Freud, estampa a capa de seucatálogo (lance inicial de 120 mil reais). Entre as obras de 1.000 reais, há um guache sobre papel deClóvis Graciano e litogravuras de Maria Bonomi e RubensGerchman, que morreu em janeiro, aos 66 anos. Segundo Lisboa, duas serigrafias de Niemeyer, cada uma comlance inicial de 2 mil reais, têm despertado bastante atenção-- de cada 10 telefonemas, seis são para saber dos quadros. "O preço é muito em conta se você levar em consideraçãotodo o mito que existe em torno do nome dele", disse Lisboa. "Éuma questão de comprar o mito. É para gosto pessoal, para avaidade de se ter alguma coisa que poucos podem ter." A variedade de preços também é o chamariz do leilão de 250peças de Milu Molfi, na quarta e quinta-feira, com obras dearte sacra, pintura nacional e européia, prataria, mobiliário,porcelana, cristais e tapeçaria. Haverá lances livres para alguns trabalhos, mas também temo destaque e a capa do catálogo da leiloeira: um jarro debronze de 25 cm de altura, da dinastia Ming (1368 -- 1644).Segundo Molfi, a peça foi avaliada pela casa de leilõesChristie's em 800 mil libras (2,71 milhões de reais). MERCADO AQUECIDO Além dos leilões desta semana, há outros dois marcados paraos próximos meses, incluindo um da Bolsa de Arte do Rio deJaneiro, com exposição em 25 de abril e pregão em 8 de maio. O segundo é de Aloisio Cravo, que leiloará 150 trabalhos em7 de abril, no Hotel Unique, em São Paulo, com obras de VictorBrecheret, Mira Schendel e Leonilson. "O mercado está aquecido porque o país está aquecido. E omercado de arte tem um fator importante agora, um fato recente,que é o mercado internacional olhando e identificando grandescontemporâneos brasileiros", disse Cravo por telefone. Para Molfi, o comprador brasileiro ainda é pouco informadosobre o mercado de arte e ainda fica receoso em investir nosetor. "As pessoas acham que leilão é coisa de fortunas, de vestiro melhor do guarda-roupa, de ir de motorista e tal. Isso não éverdade", disse Molfi, na exposição das obras que irá leiloar."Você pode ter uma aula de arte aqui, trabalhamos com todo tipode material, de séculos diferentes." "O mercado brasileiro está sempre aquecido na classe AAAA.Agora, claro, quando melhora a qualidade de renda da classemédia, a gente vende mais", disse. O público de leilões de arte vem se diversificando. JamesLisboa conta que quase 80 por cento de seus clientes são casaisentre 30 e 40 anos, que já são colecionadores ou que estãodando início a uma coleção. Para quem quiser começar a investir em arte, Lisboa diz quea primeira coisa a fazer é se informar, frequentando galerias eleilões para ter idéia dos preços de mercado. E, depois,adquirir sempre aquilo que se realmente gosta. "Compre sempre uma boa imagem. Uma boa imagem é um bomquadro. Porque o quadro feio que um grande artista pode fazernum momento de pouca inspiração vai ser feio a vida toda."

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