Com Liszt atípico, OSB celebra tradição do piano romântico

É uma deliciosa ? e kitsch ? colcha de retalhos, imersão no universo pianístico do século 19. A pedido da princesa Cristina Belgiojoso, Franz Liszt e Sigismond Thalberg ficaram encarregados de escrever uma peça a partir de um tema da ópera I Puritani, de Bellini. Convidaram para a tarefa outros colegas, como Carl Czerny e Chopin. Cada um ficou responsável por uma variação, que Liszt costurou na peça que ficou conhecida como Hexameron.

, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2010 | 00h00

Tendo a rivalidade entre Liszt e Thalberg como pano de fundo e escrita para nada menos que seis pianos solistas, é de se esperar que haja um componente extremamente teatral na peça ? que pode virar festa, ainda mais quando escolhida para inaugurar a temporada em que a Orquestra Sinfônica Brasileira comemora seus 70 anos de atividades.

No palco do Municipal do Rio, na tarde de sábado, estavam João Carlos Martins, Arthur Moreira Lima, Fernando Lopes, Gilberto Tinetti, Jean-Louis Steuerman e José Feghali. Do grupo, Martins e Moreira Lima são os remanescentes da última vez que a peça foi tocada no Brasil, nos anos 70, no Rio, com a OSB, e em São Paulo, onde um dos intérpretes era o então governador Paulo Maluf.

Seis solistas, seis pianistas de origem, formação e técnica distintas. É uma parte da história do piano brasileiro que estava no palco do Municipal, e isso deu um charme especial à apresentação, compensando alguns problemas de execução e esbarrões ao longo da tarde.

O programa começou com Martins regendo a OSB em boa leitura do arranjo do maestro Leopold Stokowski para Jesus, Alegria dos Homens, de Bach. Veio então uma versão desencontrada do Concerto para Quatro Pianos em Lá Menor BWV 1065, de Bach; e um eficiente Carnaval dos Animais, de Saint-Saëns, pelas mãos de Feghali e Steuermann.

Na segunda parte, destaque para o Hexameron. Há um caráter fragmentado na estrutura da peça, formada pela contribuição de vários autores. Mas, responsável pelas passagens acrescentadas por Liszt, Moreira Lima conseguiu dar certa unidade à interpretação, tirando desta música aquilo que ela pode oferecer.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.