Com grande ajuda dos amigos

Vitor Ramil lança campanha na rede para fãs financiarem CD duplo e songbook

Lauro Lisboa Garcia, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2012 | 03h10

Dos 18 aos 24 anos, Vitor Ramil gravou três discos por grandes gravadoras. "Nenhuma me deu segurança, pelo contrário, em todas gravei e fui convidado a me retirar", diz o compositor, cantor e escritor gaúcho. Como nunca foi do tipo "focado em fazer o sucesso", a partir de Ramilonga (1997), Ramil tornou-se artista independente - aquele que afinal depende de seu público. Fortalecendo o "sentimento de cumplicidade" com esse público desde o advento da internet, ele lançou no meio da semana uma campanha de financiamento coletivo (veja vídeo em www.youtube.com/watch?v=wYBtTLiFJPU) para produzir seu próximo trabalho.

Trata-se de um songbook com 60 de suas principais canções e um CD duplo com 30 dessas canções autorais, que tem por título uma das mais conhecidas, Foi no Mês Que Vem. Ele, que já inscreveu outros projetos em leis de incentivo, mas nunca foi beneficiado, trabalha agora pela primeira vez no esquema de crowdfunding. "Acho que as leis de incentivo são importantes, mas penso que devem ser aperfeiçoadas permanentemente para que sejam cada vez mais justas e eficazes. Quanto aos editais, os públicos não raro são marcados pela demagogia política e os privados pelos interesses comerciais", diz. "Como não achar o crowdfunding uma grande ideia diante desse cenário? O público se mobiliza pelo que gosta ou acha pertinente. Certamente vai se deparar com muita picaretagem fantasiada de belo projeto, mas caberá a ele farejar a malandragem e anulá-la."

À base de voz e violão, o disco servirá de referência para o songbook. "As pessoas têm dificuldade de tirar as minhas músicas, seja pela afinação preparada, seja pelas pequenas armadilhas harmônicas, pelo uso de incomum do capotraste e outras coisas. O lançamento do songbook, somado à repercussão das minhas canções antigas em Lisboa durante uma apresentação lá, foi a motivação para fazer esse disco. Do contrário eu talvez não tivesse nisso, mas gravando as poesias da Angélica Freitas, que estou musicando, por exemplo."

É também a oportunidade para Ramil reinterpretar canções como Joquim (versão de Joey, de Bob Dylan eJacques Levy) e Loucos de Cara, marcos de sua carreira cujas gravações originais ficaram datadas, como ele próprio reconhece. "Aliás, o que não ficou datado nos anos 80? Parecíamos índios diante de teclados e reverbers. No meu caso então, que era muito jovem e fazia discos dentro de gravadoras, ou seja, com um certa restrição aos arroubos criativos, sinto que muitas músicas ficaram extraviadas graças aos padrões da época", diz o compositor.

Além dessas duas, ele revela que estarão no CD duas das mais popularizadas, Estrela, Estrela (já gravada por ele duas vezes, além de Gal Costa e Maria Rita, entre outros) e Ramilonga. "E devem estar coisas que gosto como Noa Noa, Ibicuí da Armada ou A Resposta, e que são pouco conhecidas."

A sonoridade é centrada no violão, como no CD mais recente, Délibáb (2010). "É uma opção estética. Minhas composições atuais são muito 'coladas' ao violão. Levei essa linguagem para todo o repertório anterior, justamente onde a linguagem nasceu, para músicas que em outros discos o violão ou não estava no arranjo ou nem era percebido", diz.

Esse é o quarto álbum que Ramil grava em Buenos Aires e deve ter convidados como Carlos Moscardini, Jorge Drexler, Santiago Vazquez e Pedro Aznar, com quem vem trabalhando há anos. "Será um disco leve, quase todo de intervenções isoladas. Adoro as colaborações. É muita criatividade e diversidade junta", diz.

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