REUTERS/Rick Wilking
REUTERS/Rick Wilking

Com coronavírus, leilões apostam no ambiente online

Em meio à pandemia, empresas reforçam presença na internet para quem não quer perder um bom negócio

Renato Vieira, O Estado de S. Paulo

18 de abril de 2020 | 05h00

Com a impossibilidade de reunir interessados para lances presenciais por conta da disseminação do novo coronavírus, os leilões com transmissão pela internet se tornaram a única possibilidade de fazer um bom negócio para quem compra e vende nesse mercado. 

Firmas que conduzem leilões online reforçaram o investimento em tecnologia de ponta e os profissionais do segmento ressaltam que a transparência sobre o real estado de cada produto é fundamental para manter a credibilidade do mercado leiloeiro.

Leiloeira oficial da empresa Lance no Leilão, Carla Umino conta que há quem prefira o formato presencial. “Dependendo do que a pessoa compra, ela prefere ir ao escritório e tirar as dúvidas”, explica. Para ajudar os interessados que querem saber mais detalhes sobre o que está sendo vendido, Umino intensificou o atendimento remoto aos clientes. 

Com a realização dos leilões da empresa somente no formato online, houve um aumento de 40% no número de participantes virtuais. 

A Lance no Leilão fez um upgrade em seu servidor de internet e contratou um serviço de streaming premium, para que a transmissão do leilão não seja interrompida por conta de instabilidade na rede. 

Segundo Cristiana Boyadjian, CEO da Leilão VIP, os comitentes - donos dos bens que as empresas leiloam - inicialmente seguraram a venda de propriedades. “Agora já está voltando ao normal. Nós recebemos um lote de imóveis de alienação fiduciária do Banco do Brasil. O próprio banco pediu que os leilões de alienação fiduciária, que antes eram presenciais e online, sejam feitos somente online”, afirma. Antes da pandemia, 95% das transações da empresa já eram feitas por meio de internet.

A exibição dos bens é feita por meio de fotos e filmagens. No caso de veículos, os interessados podem até mesmo ver vídeos que mostram a performance deles em movimento. Os profissionais também revelam detalhes de avarias e problemas dos produtos. “Procuramos dar o maior número de informações. Embora os produtos não tenham garantia, a gente prefere falar que tem defeito do que ficar quieto”, afirma o leiloeiro Sérgio Freitas. 

Com uma empresa própria há 35 anos, ele também precisou adaptar os funcionários à rotina online. Metade dos empregados está trabalhando no esquema de home office. Alguns estão em férias e, no escritório, ficaram os imprescindíveis, como o pessoal de TI. 

Quando o cliente arremata um carro, os leiloeiros providenciam a entrega na casa da pessoa. Os pátios onde eles ficam também estão fechados. Mas, por meio de um guincho, há a possibilidade de o comprador buscar o veículo.

Alguns leiloeiros reclamam de dificuldades em ter o que vender. É o caso de Luiz Fernando Sodré Santoro, da Sodré Santoro. “Grande parte dos meus clientes é seguradora. A seguradora não tem carro na rua, não tem carro que bata e não tem o que vender.” 

Santoro afirma que, com a suspensão do serviço presencial do Detran até o fim deste mês, não consegue regularizar a documentação dos carros para que eles cheguem aos compradores. 

Tendências. As vendas nos leilões online refletem a atual preocupação com a instabilidade econômica causada pela pandemia. Com a volatilidade das bolsas de valores, compradores com reserva financeira considerável estão buscando investimentos mais sólidos. “Achei que a venda de imóveis iria parar neste momento, mas o que ocorreu foi o contrário”, afirma Freitas. 

Ele conta que, ao colocar imóveis nos leilões pela internet, os bancos fazem um desconto significativo nos valores de mercado. 

Antônio Sato, da Sato Leilões, reforça que o mercado imobiliário é o melhor investimento e que os compradores terão um bom abatimento em relação ao valor real. Ele também percebe uma procura maior em produtos do setor de saúde. 

Na semana passada, Sato fez um leilão com bens da falência da Unimed Paulistana. Os materiais hospitalares foram todos vendidos. “O mercado leiloeiro é bom quando a economia está boa e quando a economia está ruim. É sempre uma oportunidade”, afirma o leiloeiro.

A alta procura de certos bens vai representar um aumento de preço, mesmo neste momento em que a economia oscila. Ronaldo Milan, da Milan Leilões, afirma que os carros usados devem ficar mais caros. “Por incrível que pareça, neste momento a procura está grande. A pessoa não pode comprar um carro novo e, como ela quer trocar, o usado vai subir de preço.” 

Ele conta que o mesmo movimento ocorreu na recessão econômica dos anos de 2015 e 2016. Milan aposta que o valor de vans e caminhões, veículos utilizados na logística de entrega urbana, também deve subir nos leilões durante a pandemia.

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