Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

Com contas em dia, o fim da Bienal

Edição que termina domingo teve polêmicas e avanços institucionais

Camila Molina, O Estado de S. Paulo

10 de dezembro de 2010 | 06h00

A 29.ª Bienal de São Paulo, que termina neste domingo, poderia receber os apelidos de "Bienal dos Urubus" ou de "Bienal da Retomada". Pouco depois da abertura da exposição, em setembro, a retirada das três aves que compunham a instalação Bandeira Branca, de Nuno Ramos - e outras polêmicas -, causaram incômodo, revolta, desgaste. Mas, ao mesmo tempo, esta edição do evento marcou o projeto de uma gestão que primou pelo trabalho de dar fim às crises financeira e de prestígio da Fundação Bienal de São Paulo depois de uma história recente, de uma década, de problemas envolvendo a instituição. Afinal, a Bienal está com suas contas em dia. "Quando entrei, peguei um déficit em torno de R$ 4 milhões", diz o atual diretor presidente da Bienal, o empresário Heitor Martins.

Em entrevista ao Estado, Heitor Martins, que assumiu a direção da instituição em maio de 2009, calcula que até domingo a 29.ª Bienal feche sua temporada com a visita de aproximadamente 530 mil pessoas desde 25 de setembro. O número - que inclui cerca de 301 mil visitantes computados nas ações educativas - é quase que a metade da expectativa dos realizadores da mostra, a marca de 1 milhão de visitantes. "Era uma ambição, não uma meta", diz Martins. "Queríamos uma mostra voltada para o público e se pensarmos que a última Bienal (de 2008, a apelidada ‘Bienal do Vazio’) teve 180 mil visitantes, multiplicamos agora por três. É um numero impressionante, o dobro do público de Veneza (da mostra realizada há mais de um século na cidade italiana)", continua o empresário, que colocou sua diretoria à disposição da entidade para mais uma gestão.

Para 2011, entre suas metas futuras estão a segunda etapa de reforma do prédio da Bienal, tombado - o projeto de climatização ainda depende de autorização dos órgãos de defesa do patrimônio histórico - e realização de mostra para marcar os 60 anos da instituição, a ser feita em parceria com museu de Oslo.

A 29.ª Bienal, com curadoria-geral de Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias e concebida com a participação de curadores estrangeiros convidados (a venezuelana Rina Carvajal, o sul-africano Sarat Maharaj; o angolano Fernando Alvim, a japonesa Yuko Hasegawa e a espanhola Chus Martinez), reúne mais de 850 obras de 159 artistas nacionais e estrangeiros. Seu orçamento inicial era de R$ 30 milhões, mas, como conta Martins, a edição acabou sendo feita com R$ 23,5 milhões - incluindo R$ 6 milhões para o programa educativo, coordenado por Stela Barbieri.

Ainda está previsto um programa de itinerância de núcleos da mostra, em 2011, pelo País, começando, já em janeiro, por Belo Horizonte e seguindo por Rio, Salvador e municípios de São Paulo.

Vitrine

Além da retirada dos urubus da obra de Nuno Ramos - o artista tinha autorização do Ibama para usar as aves, mas o órgão depois voltou atrás em sua decisão -, a edição ainda contou com o desgaste de ter tido mais uma vez, no pavilhão, episódio de pichação e polêmicas em torno dos desenhos de Gil Vicente e da instalação do argentino Roberto Jacoby, que levantaram a questão do limite da censura. A instituição e a curadoria deveriam ter se engajado mais pelos artistas, que, afinal, tiveram seus trabalhos corrompidos? "A Bienal é a maior vitrine. Na hora em que você coloca as coisas no pavilhão, elas ganham outro nível de percepção, o que mostra a importância que a Bienal tem para a sociedade. A polêmica é meio inerente à natureza da instituição. Não acho que faltou apoio de forma alguma aos artistas", diz Martins.

29ª BIENAL DE ARTES - Pavilhão da Bienal. Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3, Parque do Ibirapuera, tel. 5576-7600. Das 9h/18h (5ª e 6ª, 9h/21h). Grátis. Até domingo.

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