Com brasileiros, Esperanza não se perde

JAZZ

, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2011 | 00h00

ESPERANZA SPALDING

CHAMBER MUSIC SOCIETY

Universal Preço: R$ 30

REGULAR

Em 2008, Esperanza Spalding chegou chegando com o disco Esperanza. Boas versões de clássicos (incluindo um Ponta de Areia com português invocado), uma ótima composição própria (I Know You Know) e improvisos vivazes de baixo e voz deram ao trabalho um brilho acessível que colocou a baixista-mulata-cantora-beldade entre as promessas do jazz. Este flerte com o mainstream parece ter sido conscientemente evitado em Chamber Music Society, disco de 2010 lançado agora no País. Boa parte da diferença está na voz, que exerce função quase estritamente instrumental, entoando melodias difíceis e improvisando com habilidade, como se fosse um sax soprano. A ausência de palavras para moldar as notas rouba o charme da empostação de Esperanza, que navega melodias errantes e prolixas (portanto, fracas) que sobem e descem prodigiosamente como se acompanhassem um cardiograma endoidecido. Não vão longe. Onde havia delicadeza agora há falta de força, de malícia. Resta a Milton (em dueto) e Jobim (com Inútil Paisagem) nortearem a cantora, que sempre se dá bem com o repertório tupiniquim. Deveria gravar o próximo por aqui. / ROBERTO NASCIMENTO

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Gravadora: Universal Preço: R$ 30

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