Com Barretão, debate empolga

Figura mais polêmica e, segundo o festival, a mais aguardada do Seminário Novas Tendências do Cinema Brasileiro, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu não apareceu quarta-feira para proferir sua conferência. Depois da ministra Ana de Hollanda, que também não foi, alegando agenda lotada, José Dirceu foi a segunda defecção de peso do encontro.

LUIZ ZANIN ORICCHIO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2011 | 03h08

Dirceu apareceu ontem no seminário e, em fala breve, desculpou-se pela ausência da véspera. Lembrou sua relação com o cinema, que vem desde 1968, quando era presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE). E que prosseguiu no exílio em Cuba, quando trabalhou no instituto de cinema de Havana, (o Icaic), "para matar as saudades do Brasil".

Mas quem botou fogo mesmo no seminário foi o produtor Luiz Carlos Barreto. Barretão, como é conhecido, disse alto e bom som que ficava triste ao ver muita gente da nova geração de cineastas pensar exclusivamente em si mesma, sem se preocupar com o cinema brasileiro em seu conjunto. Dizendo-se nordestino (é de Sobral, Ceará) e portanto homem de "matar a cobra e mostrar o pau", declinou a quem se referia. "Meus queridos Fernando Meirelles e Walter Salles, por exemplo, nunca colocaram seu prestígio em favor do cinema brasileiro; pensam apenas em si mesmos." Foi aplaudido.

Hoje se prevê mais polêmica quando o filósofo Vladimir Safatle defender a tese de que o cinema argentino é muito melhor do que o nosso. Vai ser interessante conferir as reações de uma plateia nacionalista quando se vir atingida em seu ego.

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