Com ampla programação, começa a Bienal do Livro

Começa, a partir das 11h30, a 12.ª da Bienal do Livro, o maior evento cultural do Rio, no Pavilhão Azul do Riocentro. Estarão presentes na inauguração a governadora Rosinha Garotinho, o senador José Sarney (que receberá homenagem especial) e o embaixador da França no Brasil, Jean Glineasty, entre outros. Somente na programação oficial está prevista a participação de 264 escritores, em mais de cem eventos. De palestras para 600 pessoas, como a do americano Tom Wolfe no auditório Fernando Sabino, hoje, ao tête-à-tête na Praça do Autógrafo, espaço criado este ano, com mais duas novidades, o Imaginário do Autor e o Jirau de Poesia. "O autor hoje é uma estrela, como um galã de novela. As pessoas adoram Martha Medeiros, querem conhecer a Lya Luft, ficam sem fala diante do Luis Fernando Verissimo. Por isso, ampliamos os espaços e oportunidades para o público encontrá-los", conta a coordenadora da programação cultural da Bienal desde 1999, Rosa Maria Barboza de Araújo. Ela montou um mosaico de diversidade e qualidade. "Este ano, homenageamos o centenário de nascimento de Jean-Paul Sartre, Érico Veríssimo e os 85 anos de Clarice Lispector." O pioneiro café literário é sucesso tão consolidado que os 160 lugares de cada sessão são ocupados no início do dia. "Então, criamos o Imaginário do Autor, para o público entrar no ambiente do escritor. Eles falarão, na primeira semana, sobre fantasia (desejo, erotismo, paladares, beleza) e, na segunda, de subversão (marginalidade, fantasma, Diabo, drogas, etc.)", adianta Rosa Maria. "Por sugestão dos editores, também criamos este ano o Jirau da Poesia e a Praça do Autógrafo, com agenda para um encontro rápido entre autor e leitor." Há itens imperdíveis na programação. Já amanhã, o cirurgião plástico Ivo Pitanguy lembrará seu conterrâneo e amigo de toda vida Fernando Sabino. No Jirau da Poesia, coordenado pelo poeta Claufe Rodrigues, Francisco Bosco (letrista de seu pai, João Bosco e de Ivan Lins) fala seus versos não musicais. No dia seguinte, às 18 horas, Luis Fernando Verissimo e a filha dele, Fernanda, ambos escritores, vão lembrar os 100 anos de Érico Veríssimo (pai dele e avô dela), com direito a leitura dramática do ator Cláudio Marzo. Millôr Fernandes debate Marcel Proust com o ilustrador Stéphane Heuet (autor da versão em quadrinhos de Em Busca do Tempo Perdido). O sábado será da França, país homenageado neste ano, que nos mandou 16 escritores, do seminal Michel Butor, criador do nouveau roman, aos mais que modernos Lolita Pille e Martin Page, sem esquecer Gilles Lapouge (colaborador do Estado e especialista em Brasil). Há encontros inusitados, como o do psicanalista Jurandir Freire Costa com a jornalista Glória Kalil que falarão sobre beleza (dia 15) e Miguel Paiva com Garcia-Rosa (dia 18), sobre seus personagens, os escrachados Gatão de Meia Idade e Radical Chic e o seriíssimo detetive Spinoza. A Bienal é um investimento de R$ 18 milhões dividido entre o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e os expositores. Este ano, ganha um espaço para negócios. Esse contato já ocorria informalmente e, por isso, a organização decidiu oferecer conforto a livreiros, agentes e editores e autores para se entenderem melhor.

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