Com a palavra, um fã especial: Walter Salles

"Kurosawa foi, com Ozu e Mizoguchi, um dos pais do moderno cinema japonês, e também um dos grandes mestres do cinema do século 20. Coppola disse uma vez que "o que melhor define Kurosawa é o fato que ele não dirigiu uma ou duas obras-primas, mas oito". Poucos cineastas adaptaram autores como Shakespeare, Kawabata ou Dostoievski com tanta propriedade. Trono Manchado de Sangue (inspirado em Macbeth), Ran (em Rei Lear), Rashomon (Kawabata) são excepcionais. Transitou por vários gêneros com a mesma pertinência, do épico (Os Sete Samurais) ao noir (Céu e Inferno). Muitas vezes criticado por ser o mais ocidental dos diretores japoneses do pós-guerra, foi também o que mais influenciou europeus (de Leone a Herzog), americanos (de Scorsese a Coppola) e asiáticos (John Woo). Se sua obra resiste tão bem, talvez seja por ser permeada por estranho paradoxo: de um lado, um extremo ceticismo; do outro, a crença no humano."

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