Com a palavra, o valete

Crispin Glover fala do seu papel na Alice, de Tim Burton, agora nas locadoras

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2010 | 00h00

Glover no filme. "Eu tenho tido o privilégio de trabalhar com artistas visionários, como Burton"

 

 No imaginário de milhões de espectadores através do mundo, ele será sempre George McFly, pai de Marty McFly na série De Volta para o Futuro, de Robert Zemeckis. Crispin Glover nunca teve o physique du rôle para ser galã. Não por acaso, Michael J. Fox tinha de interferir na vida do futuro pai, para garantir a própria existência, no primeiro Back To the Future. Mas Crispin Glover virou cult. Grandes diretores - David Lynch, Jim Jarmusch - criaram papeis para ele.

Glover faz agora um papel importante em Alice no País das Maravilhas. O filme que Tim Burton adaptou de Lewis Carroll já chegou às locadoras. Primeiro, para locação. Para comprar o DVD será preciso esperar por outubro. O DVD tem poucos, mas bons extras ? sobre os efeitos, o 3-D. A Alice do cinema é mais Tim Burton do que Carroll. Não é um defeito ,de maneira alguma. Burton é um autor. Usou os incidentes dos livros de Carroll para formatar Alice à sua medida.

Numa entrevista por telefone, Crispin Glover avalia ? "Tenho tido o privilégio de trabalhar com artistas visionários que cultivam universos próprios e sabem como transformá-los em imagens e sons. Tim (Burton) é dos maiores." Glover interpreta o Valete de Copas. É o chefe do Exército da Rainha Vermelha, interpretada por Helena Bonham Carter. Quem viu o filme sabe de quem se trata ? o Valete tem mais de 2 metros de altura, usa tapa-olho (singelamente, em forma de coração), é arrogante. "Sigo as ordens da rainha e sou o único que consegue acalmá-la nos acessos de fúria. Na verdade, sou a extensão marcial da Rainha Vermelha. E tenho de ser diplomático."

O personagem não seria adequado para Crispin Glover se não tivesse um lado escuro ? que aparece nos corredores sombrios do palácio. "Foi muito divertido de fazer. Nada realista, você sabe." Glover admite ter grande curiosidade pelo Brasil. "A diversidade cultural de vocês me encanta. Detesto a mesmice." Ele se revela. "Tenho minha obra como diretor, filmes como It"s Fine, Everything Is Fine e What Is It?. São experimentais, não se assemelham a nada produzido por Hollywood. Gostaria de exibi-los para vocês." O repórter transfere a pergunta de Crispin Glover - não existirão distribuidores nem programadores de festivais interessados na sua obra de autor?

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