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A dificuldade de se ter uma coluna num jornal é que muita gente que escreve melhor que você tem uma coluna num jornal. Não quero fazer comparações, não estou discutindo talento, aqui. Eu jamais me compararia ao mestre Verissimo, óbvio, mas que assusta, assusta.

Fábio Porchat, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2015 | 02h07

Como ser engraçado se na página ao lado eu sei que alguém já está sendo hilário e inteligente ao mesmo tempo? Ou se no jornal vizinho já tem um José Simão fazendo rir diariamente!!!! E como falar sério, se tem pessoas bem mais indicadas para falar sério? A minha questão é: sempre vai ter alguém falando aquilo que você está falando, só que de forma mais clara, esperta, assertiva e coerente.

Muitas vezes, eu leio uma coluna e penso: é isso. Quase como que pensando, nem preciso escrever a minha coluna, o Drauzio já disse exatamente o que eu queria dizer e muito melhor.

Às vezes, dá vontade de fazer uma coluna dizendo: não perca tempo comigo, aqui, vá direto ler o João Pereira Coutinho. Será que, em vez de escrever, eu deveria continuar a ser apenas leitor? A autocrítica que faço é muito em relação ao que eu quero falar, que opinião quero dar. Ou melhor, de que vale dar a minha opinião? Como emitir algum pensamento se o Gregório Duvivier já vai emitir um, que, inclusive, será o meu daqui pra diante?

Se tenho alguma percepção do que está acontecendo ao meu redor e quero transpor isso pro papel, caio em uma armadilha. Se for pra falar a sério, o Contardo Calligaris é a pessoa certa, se for pra fazer uma observação bem-humorada da situação o Antonio Prata é o mais indicado. Como emitir uma opinião mais aprofundada sem antes ler o Roberto DaMatta? E pra que emitir uma opinião mais aprofundada depois de lê-lo? Já tá lá. Tá dito. Se o Cristovam Buarque falou, tá falado. Se resolvo falar de futebol, ou qualquer outro esporte, resolvo ler o Juca Kfouri e o Antero Greco e desisto. Eu nunca vou ser tão neurótico quanto a Tati Bernardi. Pra que contar histórias, se as do Nelson Motta são tão saborosas e divertidas? E se resolvo entrar num papo-cabeça, a Fernanda Torres é imbatível. Eu prefiro lê-la a escrever.

Veja bem, não é no sentido de competição que eu falo tudo isso, no sentido de que queria escrever como eles, não. É no sentido de admiração, aprendizado e interesse. E o meu interesse é ler o Marcelo Rubens Paiva e não me ler, entende?

Não estou me fazendo de coitadinho, aqui, não, acho que tenho talento, sim, e acho que consigo escrever. Mas como é duro ter que emitir uma opinião no meio de tanta gente boa. O que é ótimo, sempre é melhor nivelar por cima. Claro, existem péssimos colunistas e esses também são uma inspiração. Pro outro lado, claro, mas é sempre bom ficar atento aos muito ruins, porque a gente pode estar no meio deles e não ter se dado conta. E qual é o seu colunista preferido?

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