Fabio Motta/AE - 16/2/2005
Fabio Motta/AE - 16/2/2005

Colunista do 'Estado' abrirá a Flip 2012

Silviano Santiago, do 'Sabático', foi o escolhido para fazer a conferência em homenagem a Carlos Drummond de Andrade

Maria Fernanda Rodrigues - O Estado de S.Paulo,

02 de março de 2012 | 18h00

No ano em que Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) será homenageado na 10.ª Festa Literária Internacional de Paraty, de 4 a 8 de julho, Silviano Santiago fará a conferência de abertura. O escritor, crítico literário e colunista do Sabático pretende tratar, na noite de 4 de julho, sobre a atualidade e o cosmopolitismo do poeta mineiro, que ele conheceu pessoalmente e com quem organizou Carlos e Mário, livro de correspondências trocadas com Mário de Andrade - que seria lançado em 2002.

"A atualidade de Drummond é inegável. Paralelamente aos outros grandes poetas modernistas, ele apresenta uma diversificação temática, estilística e de dicções poéticas muito grande e isso o torna uma figura bem mais complexa que os demais modernistas. É por essa diversificação que ele nunca cairá no lugar comum da poesia de gosto fácil", diz Santiago, que lançou, em 1976, obra de ensaios sobre o poeta. Ao mesmo tempo, conta, ele tinha um "tino extraordinário para poemas que cairiam no gosto do público, como José".

A questão do cosmopolitismo, uma das grandes características da poesia de Drummond segundo o crítico, deve ganhar destaque na apresentação. Drummond não conheceu a Europa e nem os Estados Unidos, e a Argentina foi o único país estrangeiro que ele visitou, relembra o crítico. "Mas desde o início ele mostra uma visão de mundo muito ampla que coincide com esse desejo do Brasil hoje de falar menos sobre o umbigo e mais sobre as relações internacionais."

Santiago e Drummond se encontraram algumas vezes - a primeira delas foi em 1955. Depois, como eram vizinhos de rua, se cruzaram pelo Rio. Estiveram juntos duas ou três vezes nos famosos Sabadoyles, nome dado às reuniões de sábado realizadas por Plínio Doyle em sua casa, e em outros momentos. Para Santiago, Drummond era tímido, mas não era sério. Tanto que mudava a voz ao atender o telefone para evitar os chatos.

Aberturas

2003 - Vinicius de Moraes

Chico Buarque, Antonio Cícero, Suzana Moraes e José Carlos de Oliveira leem poemas

2004 - Guimarães Rosa

Com Vilma Guimarães Rosa, filha do autor de Sagarana

2005 - Clarice Lispector

Depoimento de Chico Buarque sobre a autora é exibido em telão

2006 - Jorge Amado

A cantora Maria Bethânia faz show de abertura

2007 - Nelson Rodrigues

Com Barbara Heliodora, crítica teatral

2008 - Machado de Assis

Com o crítico Roberto Schwarcz

2009 - Manuel Bandeira

Com Davi Arrigucci Júnior, professor de literatura

2010 - Gilberto Freyre

Com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso

2011 - Oswald de Andrade

Com o crítico Antonio Candido e José Miguel Wisnik

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