Colocando a música no drama

Ele já perdeu a conta dos prêmios e menções que ganhou interpretando compositores clássicos como Bach e Mozart. Aos 28 anos, Paulo Francisco Paes faz sua estreia como compositor de cinema. E assina a trilha de Aparecida - O Milagre.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2010 | 00h00

Paulo Francisco é filho dos produtores Paulo Thiago e Gláucia Camargos, mas se o garoto não tivesse know how - e sensibilidade -, nem papai e mamãe teriam segurado sua trilha. A diretora Tizuka Yamasaki conta que sentiu de cara o entusiasmo do jovem talentoso disposto a mostrar a que veio. Mas, escaldada, admite que preferiu ver para crer. Não propriamente viu - ouviu e gostou.

A trilha de Aparecida, já disponível em CD, compõe-se de 26 faixas - 25 são da lavra de Paulo Francisco Paes, que criou temas para os personagens principais (o pai, o filho, a santa, etc). A culminação é a Ave-Maria de Gounod, na cena final, durante missa solene na própria basílica de Nossa Senhora Aparecida.

Antes de assumir o desafio de compor sua primeira trilha, Paulo Francisco fez um curso na Espanha - e exercitou-se compondo para diversos curtas na escola. Ele observa que a música religiosa favorece o coro e, de cara, decidiu que sua trilha teria muitas vozes. Por medida de economia, ele formou o coral e a própria orquestra, selecionando e multiplicando (no estúdio) os grupos de cordas, principalmente.

Em vários momentos, e não tanto por insegurança, retirava sua trilha para ouvir o filme. Chegou à conclusão de que as imagens, por si sós, não se sustentavam, pelo menos no efeito pretendido. Se o filme propõe o evangelho do amor em forma de melodrama, a própria palavra já carrega a definição - consiste em colocar música (melos) no drama. O filme é popular, a trilha foge a uma tendência do cinema brasileiro - fazer uma coletânea musical. A sofisticação, acredita Paulo Henrique Paes, começa por aí.

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