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Colecionador diz que 'ama' obras e as quer de volta

Na primeira manifestação após apreensão pela polícia, Cornelius Gurlitt nega crime e conta que ‘conversava’ com quadros

Associated Press

17 de novembro de 2013 | 22h07

O colecionador alemão Cornelius Gurlitt, que escondeu em sua casa um conjunto de cerca de 1.400 obras de arte, algumas delas possivelmente roubadas pelos nazistas, disse à revista alemã Der Spiegel que "ama" as peças e que as quer de volta.

Na primeira declaração desde que tornou-se pública a apreensão dos quadros pela polícia, há duas semanas, ele disse que quis proteger a coleção construída por seu pai, Hildebrand, um negociante de arte contratado pelos nazistas para vender obras das quais o governo de Hitler queria se livrar. As autoridades alemãs suspeitam que Gurlitt pai pode ter negociado obras roubadas de famílias judias - e isso pode levar a pedidos de restituição por parte dos donos originais.

Gurlitt disse que "todos precisam de algo para amar". "E eu não amo nada na vida mais do que meus quadros." Segundo ele, a morte de seus pais e de sua irmã foram menos dolorosas do que a perda das obras e desenhos de artistas como Picasso, Matisse e Max Liebermann.

O colecionador disse ainda que não vai "simplesmente entregar as obras". "Eu não vou falar com eles e me recuso a entregar o que quer que seja voluntariamente, não, não." Ele contou também que guardava as suas obras preferidas em uma pequena mala - e que, todas as noites, ele a abria e então passava horas admirando os quadros, com quem conversava.

A revista disse que um repórter passou vários dias entrevistando Gurlitt, durante viagens que ele fazia de sua casa em Munique a uma cidade próxima, onde era atendido por um médico. Segundo o jornalista, ele sofre de problemas cardíacos.

Ocasionalmente, ele vendia alguns quadros para conseguir dinheiro. A última vez teria sido em 2011, com O Domador de Leões, de Max Beckmann, por 725 mil euros. Segundo Gurlitt, ele ficou com 400 mil euros e o restante foi para a família de um colecionador judeu a quem o quadro já pertenceu. Herdeiros de diversas famílias já pronunciaram o interesse em reaver algumas das obras encontradas pela polícia. "Meu pai pode ter recebido uma obra de alguma família, é possível. Mas ele jamais teria roubado", disse Gurlitt.

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