Coleção "Paulicéia" narra trajetória de Carlito Maia

Carlito Maia era um humanitário. Essa é a definição do publicitário Erazê Martinho, autor do livro biográfico Carlito Maia - A Irreverência Equilibrista, sétimo título da coleção Paulicéia, da editora Boitempo, que será lançado hoje.Mineiro, nascido em Lavras, Carlito adotou São Paulo como cidade do coração e foi onde viveu até sua morte, no ano passado, aos 78 anos de idade. O publicitário - ou "homem da comunicação", como preferia ser chamado - acabou por tornar-se um importante personagem da história da metrópole e conhecido no restante do Brasil. Nunca perdeu de vista seus ideais. "Ele não chorou a perda de nada. Esse era o brilho dele. Em primeiro lugar estava o que acreditava. O resto vinha depois, inclusive os negócios", testemunha Martinho.Por essas e outras, Carlito Maia ganha agora essa homenagem. A editora Boitempo o escolheu como uma das personalidades de São Paulo para serem resgatadas e documentadas na coletânea Paulicéia, ao lado de Adoniran Barbosa, Cândido Portinari e Sérgio Buarque de Holanda. "Foi uma feliz escolha", acredita o autor, que teve Maia como grande amigo e referencial.Erazê Martinho conheceu Carlito Maia no início da década de 1960. Na época, trabalhava na Bendix Home Appliances do Brasil, empresa licenciada pela Philco norte-americana para fabricar máquinas de lavar roupa. A empresa era cliente da agência publicitária em que Carlito era sócio, a Magaldi-Maia e Prósperi. A coincidência de ideais políticos logo estreitou a amizade entre os dois. "Foi amor à primeira vista", recorda Martinho. "Saímos de uma reunião e fomos para um bar. Conversamos sobre duas coisas que nos encantavam e ao mesmo tempo nos afligiam: a vontade de um mundo melhor e a frustração de que o mundo melhor que a gente queria era socialista, numa época em que a então União Soviética vivia o seu pior momento." Nasceu assim a amizade que duraria a vida inteira de ambos. Até 22 de junho do ano passado, quando Carlito Maia morreu. Carlito Maia. De Erazê Martinho. Coleção Paulicéia. Boitempo Editorial. 174 páginas. R$ 27,00. Hoje (12/8), a partir das 19 horas. Bar Supremo. Rua da Consolação, 3.473, tel. 3082-6142.

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