Coleção de arte de Yves Saint-Laurent vai a leilão em Paris

Vista como 'excepcional', coleção estimada entre 200 e 300 mi de euros inclui móveis, antiguidades e quadros

BBC Brasil, BBC

19 de fevereiro de 2009 | 10h27

A vasta coleção de móveis, obras de arte, antiguidades e objetos raros do estilista francês Yves Saint Laurent, morto em junho passado, será leiloada na semana que vem em Paris. A coleção, que será leiloada pela Christie's, foi estimada entre 200 e 300 milhões de euros. "Se o leilão ultrapassar 200 milhões de euros, será a maior venda de uma coleção unitária já realizada até hoje", afirmou François Curiel, presidente da Christie's na Europa.   Durante cerca de 40 anos, Yves Saint Laurent e seu companheiro, Pierre Bergé - co-fundador e ex-presidente da famosa grife que leva o nome do estilista - reuniram peças que poderiam estar expostas em coleções de museus.Ao todo, serão leiloados em Paris 733 obras, entre quadros de arte moderna e pinturas do século 19, móveis art déco raros, bronzes barrocos, pratarias dos séculos 16 e 17, antiguidades arqueológicas, arte asiática e outros objetos preciosos.   A grande maioria das obras da coleção abrange seis séculos de história da arte. É justamente essa mistura de épocas e estilos e a importância de muitas obras, além do excelente estado de conservação, que caracterizam a coleção, tida como excepcional. Especialistas do mercado de arte estimam que é praticamente impossível refazer uma coleção pessoal desse porte nos dias de hoje.   Entre os quadros estão telas de Picasso, Matisse, Mondrian, Goya, e De Chirico. O leilão será realizado no prestigioso museu do Grand Palais, em Paris. Só os cenários montados para apresentar os lotes de peças custaram 1 milhão de euros.   A coleção de Yves Saint Laurent também inclui antiguidades, como um sarcófago egípcio do século 4 a.C., e um torso de mármore romano datado dos séculos 1 e 2, que decorava a majestosa entrada do apartamento de Saint Laurent, na rue Babylone, em Paris.Entre as obras a serem colocadas sob o martelo estão duas raríssimas esculturas de bronze chinesas - de uma cabeça de coelho e outra de rato, da dinastia Qing (século 18) - que foram alvo de grande polêmica depois que o governo chinês exigiu sua devolução.   O catálogo do leilão reúne cinco volumes que, ao todo, pesam 10 quilos e têm 1,8 mil páginas. Para produzir os 7 mil exemplares, que custam 200 euros cada, foram gastos 1,6 milhão de euros. Segundo Pierre Bergé, a renda obtida com a venda será utilizada para criar uma fundação de pesquisas sobre Aids e outras doenças. A coleção ficará aberta ao público no Grand Palais, em Paris, entre o próximo sábado e o dia 23, data do início do leilão.

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