Coleção de arte de Yves Saint Laurent será leiloada

A coleção de arte do falecido estilista Yves Saint Laurent, uma das melhores coleções em mãos privadas, será vendida em leilão, com 300 milhões de euros em lucros a ser revertidos para caridade, disseram os organizadores do leilão na sexta-feira. Formada ao longo de décadas por Saint Laurent e seu parceiro Pierre Bergé, a coleção abrange desde obras-primas chinesas até telas de Picasso, Matisse e Degas, além de tesouros Art Deco e esculturas barrocas e da antiguidade romana. "É uma das mais suntuosas coleções particulares de nossos tempos, um paradigma francês de qualidade e bom gosto", disse a casa de leilões Christie's, que estima que as obras irão render entre 200 e 300 milhões de euros (293 a 439 milhões de dólares). O leilão acontecerá em Paris entre 23 e 25 de fevereiro de 2009. Saint Laurent, cujas criações revolucionaram a moda feminina, morreu em junho aos 71 anos e legou sua parte na coleção à fundação beneficente que criou em conjunto com Bergé, seu companheiro de anos e administrador de seus negócios. Bergé disse que decidiu vender a coleção inteira e doar o dinheiro obtido a uma fundação nova dedicada a ajudar as pesquisas médicas e o combate à Aids. "Se há uma coisa nesta coleção da qual me orgulho, é o padrão de exigência que Yves Saint Laurent e eu sempre aplicamos à aquisição de objetos", disse ele em coletiva de imprensa dada em Paris. Alguns dos destaques da coleção são a obra de Picasso de 1914 "Musical instruments on a gueridon", estimada em entre 30 e 40 milhões de euros, várias obras do pintor francês Henri Matisse e algumas esculturas de bronze chinesas raras do século 18. "Eu jamais teria imaginado que algum dia pudéssemos organizar um leilão como este", disse à Reuters Thomas Seydoux, diretor do departamento de arte moderna e impressionista da Christie's. "A origem, idade, data, estado de conservação e 'pedigree' destas obras, tudo é excepcional." A coleção estava abrigada num apartamento em Paris para o qual Saint Laurent e Bergé se mudaram em 1972. Bergé, que tem 77 anos e é diretor de uma famosa casa de leilões parisiense, disse que preferiu que a coleção fosse vendida, em lugar de ser doada a um museu. "Posso viver muito bem sem uma coleção", disse ele. "Yves Saint Laurent e eu começamos a viver 50 anos atrás sem esta mobília e esses quadros, e, acreditem, éramos muito felizes."

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