Coleção de Aldo Franco, na Pinacoteca

O livro e a exposição Coleção Aldo Franco reúnem alguns dos melhores trabalhos adquiridos ao longo de quatro décadas pelo empresário carioca e que até hoje não haviam sido mostrados ao público em seu conjunto, a partir de amanhã à noite, na Pinacoteca do Estado.Apesar de conhecer obras-chave da história da arte brasileira, como Retirantes, de Portinari, ou As Lavadeiras, Abaeté, de Pancetti, por meio dos empréstimos feitos pelos herdeiros da coleção à exposições em torno desses artistas ou então por meio de reproduções, o público terá pela primeira vez a oportunidade de ver de perto um acervo fundamentalmente marcado pelo olho e pelo gosto de seu colecionador.Segundo Max Perligeiro, diretor da Pinakotheke, instituição responsável pela coleção desde 1985, quando começou sua catalogação, o acervo de Franco é um dos que melhor reflete o gosto de um homem. São aproximadamente 400 obras, mas em todas elas há algo de especial que cativou a atenção do colecionador.Mesmo sendo uma coleção enxuta, foi necessário eleger pouco mais de 60 obras para exibir na mostra da Pinacoteca. O livro pôde contemplar um número maior de trabalhos, chegando a 110 pinturas, esculturas e gravuras reproduzidas - com evidente predomínio da primeira. Há na seleção um pequeno núcleo de obras do século 19 - representado em sua totalidade e que esconde pequenas jóias, como a bela Paisagem com Rio, de Batista da Costa, ou uma curiosa aquarela, executada por Pedro Américo quando tinha apenas 14 anos. Para pontuar esse interesse histórico do colecionador convém mencionar que ele tinha um trabalho de cada um dos alunos do grupo Grimm, mesmo que de formato pequeno.Mas o grande carro-chefe são as obras figurativas do século 20, principalmente no intervalo entre os anos 30 e 60. Todos os trabalhos são figurativos - mesmo aqueles assinados por artistas que depois são associados à arte abstrata, como Volpi e Manabu Mabe. Lá estão os grandes nomes da arte brasileira, como Eliseu Visconti, Lasar Segall, Antonio Gomide, Guignard, Ismael Nery, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Cândido Portinari. No total 33 artistas estão representados, com uma evidente predominância de Gomide, Portinari e Di Cavalcanti.Segundo o crítico Jacob Klintowitz, autor do texto do livro, "há um elo que os une e ele parece ser a crença na construção de linguagem e identificação de uma atmosfera brasileira." Um certo lirismo, uma certa busca da alma brasileira estaria por trás de muitas de suas escolhas e com certeza explica muitas de suas acertadas eleições. Esse lirismo está presente tanto nos retratos, como no belo desenho Menina com Laço de Fita, de Portinari, quanto nas paisagens rurais ou marinhas que abundam na coleção e que refletem a paleta brasileira.Infelizmente o livro não aprofunda como deveria os laços internos que sustentam a coleção de Franco, preferindo fazer divagações mais abrangentes sobre o ato de colecionar para depois mergulhar na análise detalhada de cada um dos artistas e das obras representadas ali - material que pode ser útil a estudantes e pesquisadores, o que faz em vários momentos com que ele se aproxime mais de um catálogo de qualidade do que de um publicação investigativa sobre arte, mais uma vez privilegiando a imagem à reflexão, algo muito comum no mercado editorial brasileiro.Coleção Aldo Franco. De terça a domingo, das 10 às 17 horas. R$ 5,00. Pinacoteca do Estado. Praça da Luz, 2, tel. 229-9844. Até 19/8. Abertura amanhã (12), às 19h30, com lançamento de livro de José Mindlin e Jacob Klintowitz

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