Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Cocoricó volta com aventuras na cidade

Fernando Gomes fala do programa e dos seus premiados personagens

Thais Caramico, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2011 | 00h00

Você já deve ter ouvido falar do Cocoricó, uma fazenda que existe na cidade fictícia de Cocoricolândia, onde o garoto Júlio conversa com os animais. Há 15 anos no ar, é considerado um dos programas infantis de maior sucesso da TV brasileira. Premiado, é exibido em países como Angola, Moçambique, Venezuela, Argentina, Portugal e Chile. Já levou cerca de 100 mil pessoas ao teatro e 25 mil aos cinemas. Ao Estado, o artista plástico Fernando Gomes, criador do Júlio, fala desse período e revela que, além de dirigir o Cocoricó, acaba de assumir o cargo de gerente de programas infanto-juvenis da TV Cultura, criado especialmente para ele.

Em 2011, o Cocoricó completa 15 anos e você acaba de ser escolhido para gerenciar os programas infanto-juvenis da TV Cultura. Como é isso?

Meu grande sonho agora é conseguir retomar as produções locais e apostar nisso, como foi na época do Glub-Glub, do X-Tudo. Claro que os projetos grandes serão bem-vindos, mas desde que sejam reais e executáveis. Minha responsabilidade é ver tudo o que está acontecendo nessa área e pensar na nova grade, que deve sair em março ou abril. E tem novidade de cara: vamos começar a produzir e gravar novo programa em fevereiro para entrar no ar com a nova grade.

Que programa é esse?

Chama-se Quintal da Cultura, vai amarrar e apresentar os programas pré-escolares da emissora.

E o Cocoricó?

Este mês começamos a gravar novos episódios do Júlio na cidade, continuação do que foi feito ano passado, e agora comemora os 15 anos da Turma. Gravamos até o dia 15 de julho, se nada der errado, para exibir agora em maio.

Antes era na fazenda. Por que agora na cidade grande? Foi uma atualização?

O Cocó tem uma coisa fascinante, que é o fato de ser um programa que se passa no campo e é muito legal para quem mora na cidade conhecer um pouco dos bichos, enfim. Mas o contrário também aconteceu. O pessoal queria ter a oportunidade de ver o que não existe no interior, como metrô, um grande estádio de futebol, um bairro japonês...

O que muda agora?

Não existe mudança. O que vimos é que nos 26 episódios anteriores, vários temas ficaram de fora. Resolvemos, então, continuar essa história em que o Júlio deixa a fazenda para passar férias na casa do primo, João.

Que temas são esses?

Competição de atenção entre irmãos, popularidade, timidez, consumismo, escovação dos dentes e superação do medo.

No ano passado, falava-se que o Cocoricó havia sido dispensado por telefone pela Cultura. O que aconteceu?

Sinceramente? Nada! Por isso estourou e acabou. Os jornais me ligaram chocados querendo saber se eu tinha sido mandado embora por telefone. E não foi isso. Quando o último contrato estava acabando, a Cultura me chamou e disse que queria dar continuidade, mas que não sabia ainda se seria possível. No dia 15 de janeiro, como combinado, eles me ligaram e disseram que não seria renovado, como eu já sabia. Mas não teve desonestidade nenhuma, tanto que hoje estamos aqui.

Qual o desafio de fazer o mesmo programa há 15 anos e continuar atual?

Eu não chamo de desafio, mas não se trata de pretensão. Para qualquer programa infantil que eu fizer, meu objetivo principal é a diversão. E dessa forma, por que não ter diversão mais conteúdo? Vivo em busca de novos caminhos para esses dois assuntos. E a cada temporada do Cocó sempre tem um desejo de pensar em coisas novas. Toda vez que entro no estúdio, eu sinto que há muita o que fazer.

O que mudou nos programas infantis desde quando você começou, em 1986?

O controle remoto mudou tudo na TV. Eu odeio ficar ditando regras, mas de modo geral, para o público infantil, as ações são mais curtas e mais ágeis. Tem bastante cor e movimento e muita música. Se não for assim, em dois segundos as crianças mudam de canal.

E, durante esses anos, o que o marcou muito?

Nunca sonhei em conhecer Jim Henson e os manipuladores dos Muppets. Mas em 2007, a TV Cultura fez uma coprodução com a Sesame Workshop e os americanos acabaram escolhendo dois profissionais do Brasil para fazer algumas manipulações. Fiz a oficina e acabei sendo escolhido para dar vida ao Garibaldo. Fui para Nova York aprender como eles faziam e foi muito doido, porque já naquela época eles adoravam o trabalho do Cocoricó e diziam que nem tinham o que nos ensinar. Nunca achei que pudesse conhecê-los, mas fui parar no ninho deles.

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