Monica Bento/AE
Monica Bento/AE

Coadjuvantes no maior show da Terra

Antes da última apresentação do U2, anteontem, baixista do Muse falou ao Estado

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

15 Abril 2011 | 00h00

Chris Wolstenholme era o cara que, no Morumbi lotado, antes do Muse tocar Knights of Cydonia, última música do seu set, pegava sua gaitinha e fazia uma homenagem a Ennio Morricone, ensaiando uma introdução de Man with a Harmonica.

Wolsthenholme é o baixista da banda britânica Muse. Tem 32 anos, 5 filhos, uma casa de classe média em Dublin e, desde janeiro de 1999, faz turnês pelo mundo e torce para que terminem antes do Natal. "Gosto de passar os feriados em casa, com as crianças", disse Chris, falando ao Estado pouco antes de sua última apresentação na abertura do U2, anteontem.

Você vai fazer seu último concerto esta noite no maior concerto de rock de todos. Como se sentiu dentro disso? Esta tour tem o tamanho real do rock?

Eu acho que o U2 é um caso à parte. Quero dizer: em termos de tocar ao vivo, acho que não há ninguém maior que eles. Talvez apenas os Stones tenham feito frente a eles. A outra coisa é que eles vêm tocando juntos, e ininterruptamente, há um longo período de tempo. A maioria das bandas, às vezes, tornam-se, com o passar do tempo, apenas nostálgicas. Não é o caso do U2. A música que fazem hoje é ainda moderna, e sempre estão renovando seu som com o que há de mais moderno. São relevantes ainda. E olhe para a plateia deles: há crianças, adolescentes, senhores de idade. É um mix humano. É um prazer adicional tocar para o público deles, porque não é apenas um tipo de pessoa. Eles ultrapassaram barreiras de tempo.

Você, como baixista, como analisa a performance de Adam Clayton, do U2, considerado um dos melhores do mundo? Ele é um ídolo para você?

Há alguma coisa de similar entre nós e o U2, que é o fato de sermos bandas básicas. Só há uma guitarra em cada grupo. Isso dá ao baixista um papel mais relevante na condução. Às vezes há bandas com dois guitarristas, às vezes até três. E o baixista acaba fazendo apenas marcação de ritmo. O que acho bacana sobre Adam é que ele é cheio de groove, e age como uma moldura, ajuda The Edge a atingir o máximo de sua performance. É muito parecido com o que nós fazemos. Matt se sente mais livre para solar ao máximo.

No sábado, Bono comparou vocês aos grupos Cream e a Jimi Hendrix. O que achou?

(Risos) Não conheço muito o Cream, para ser honesto. Mas é óbvio que Jimi Hendrix... Mesmo quem não foi influenciado por ele, acabou sendo influenciado por uma banda que foi influenciada por ele. Aquela disposição de Hendrix, de tocar de forma livre, a improvisação, isso é muito especial. Todos aqui amamos Jimi. Mudou o jeito das pessoas tocarem a guitarra, o instrumento se tornou uma extensão do instrumentista.

E agora, que tudo acabou, você vai sentir falta desse circo?

É claro. Nossa turnê atual, The Resistance, é uma das mais longas, já dura 18 meses. Depois do Brasil, vamos para a Rússia. Íamos parar há alguns meses, mas aí veio a oportunidade de abrir para o U2 e aceitamos, porque não tínhamos vindo para a América do Sul com nosso último álbum. E vamos no embalo: faremos mais dois festivais nos Estados Unidos e depois encerramos com shows em casa, nos festivais de Reading e Leeds. O problema é que tivemos de parar de trabalhar no nosso novo disco. Essa sensação de prog-rock que você sentiu no álbum, ou a presença de um som parecido com o Queen, isso decorre do fato de que nós quisemos deixar nossas influências predominarem. Não sei como será o próximo disco. Às vezes, temos algumas ideias, mas quando vamos ao estúdio elas se tornam mais e mais experimentais. Não sei o que virá.

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