Florence Lo/Reuters
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Clubhouse: como ter uma conversa íntima com mil pessoas

Lançado em março passado, o aplicativo permite ouvir discussões ao vivo e às vezes participar delas, sobre assuntos tão variados quanto 'como aprender a codificar', meditação ou até mesmo jogos de cultura geral

Julie Jammot, AFP

20 de março de 2021 | 10h00

SÃO FRANCISCO, EUA - Clubhouse, a plataforma de salas de conversas somente com áudio, serve de 'playground' para toda uma comunidade de influenciadores digitais em busca de intimidade em grande escala enquanto se ganha dinheiro suficiente.



"No outro dia, estive em uma sala com 3LAU, meu DJ favorito, em um momento histórico, para um leilão [de objetos digitais]. Estava sua família e todos nós no Clubhouse. Éramos cerca de mil. Acho que foi um momento muito íntimo", diz Taz Zammit, uma criadora de conteúdo australiana, ainda emocionada por ter participado do evento. 

Lançado em março passado, o aplicativo permite ouvir discussões ao vivo e às vezes participar delas, sobre assuntos tão variados quanto "como aprender a codificar", meditação ou até mesmo jogos de cultura geral. 

A nova rede social em ascensão, que já está avaliada em 1 bilhão de dólares, é acessível apenas em iOS (Apple) e por convite. Mas graças aos confinamentos impostos pela pandemia e às aparições de celebridades como o empresário Elon Musk, atualmente cresce no ritmo de 10 milhões de usuários por semana. 

"Não é só uma moda passageira. O Clubhouse chegou para ficar", comenta Judyth Jernudd, ex-apresentadora de televisão. "Você tem acesso a todos esses pontos de vista diferentes e faz parte da conversa. Muitos de nós estamos usando-o para testar ideias para programas". 


 

Clubhouse: íntimo e autêntico 

O Clubhouse responde às necessidades não atendidas pelas plataformas dominantes: reservar um tempo, interagir com profissionais, descansar os olhos, se divertir enquanto realiza tarefas repetitivas e também criar "intimidade" e "vínculos autênticos", dois conceitos onipresentes. 

A rede social já tem muitos seguidores. Há boatos de que o Facebook está trabalhando em um conceito semelhante, chamado provisoriamente de Fireside.

O Twitter já está testando o Spaces desde dezembro. "É um grande produto para as pessoas que tinham dificuldade de se envolver em conversas mais moderadas e empáticas", disse Nikkia Reveillac, diretora de pesquisa do grupo da Califórnia. 

"Também é excelente para os usuários que estão preocupados com a permanência dos tuítes", acrescenta. 

Esses novos formatos pressagiam um mundo onde talvez olharemos menos para as telas e nos comunicaremos mais oralmente, tanto com humanos quanto com as máquinas. 

Enquanto isso, os entusiastas do Clubhouse estão experimentando outras formas de ouvir e conversar, mas também de gerar dinheiro. 

O Clubhouse em breve testará métodos de compensação, como gorjetas, ingressos para certos lugares ou assinaturas. Outras redes já estão usando esse método para depender menos da publicidade. 

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