Gregory Batardon/GTG/Divulgação
Gregory Batardon/GTG/Divulgação

'Closer' faz sua estreia mundial no Teatro Alfa

Grand Théâtre de Genève mostra pela 1ª vez a peça de Millepied com música de Philip Glass

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S. Paulo

21 de outubro de 2010 | 06h00

Quem assistiu ao Mikhail Baryshnikov dançando no Teatro Alfa esta semana terá a chance de rever, no mesmo palco, mais uma coreografia com a assinatura do francês Benjamin Millepied. Neste sábado, 22, e domingo será a vez do Ballet du Grand Théâtre de Genève apresentar Closer, peça criada por Mellapied com música de Philip Glass.

A passagem por São Paulo marca a estreia do trabalho, nunca antes dançado pela companhia. Quem explica a escolha da cidade para a première é Vitorio Casarin, assistente de direção e um dos dois brasileiros a fazerem parte do conjunto suíço. "Como sou daqui, sempre que viemos tento trazer o melhor. Desta vez, insisti para que esta estreia fosse no Brasil. O fato de ser uma peça com música ao vivo também nos deu a possibilidade de chamar um concertista brasileiro."

O pianista Ricardo Peres deve acompanhar ao vivo a interpretação, um pas-de-deux focado na trajetória de dois seres - que não se veem durante todo o balé - e, ao final, se encontram.

Além de Closer, o grupo dirigido por Philipe Cohen vai mostrar em São Paulo outras três coreografias: Blackbird, de Jirí Kylián, Dov’é la Luna, de Jean-Christophe Maillot, e Loin, de Sidi Larbi Cherkaoui. Também nunca apresentadas na forma de um único programa, as peças foram criadas em épocas diferentes e por coreógrafos de linhas distintas - uma das marcas da companhia é justamente trabalhar com repertório e linguagens plurais. "Trouxemos um ‘best of’ dos nossos trabalhos. Certamente há peças para todos os gostos, desde aqueles que apreciam algo mais clássico até aqueles que preferem o contemporâneo", explica Casarin. "Também é uma demonstração da capacidade da companhia de variar seus estilos. Há desde de um balé executado todo no solo até peças como Dov’é la Luna, dançado nas pontas. Não somos muitos bailarinos, apenas 22, mas temos esse leque de trabalhos, o que dá para mostrar toda a diversidade da companhia."

Quando fala em diversidade, o brasileiro não se refere apenas a um conceito abstrato, mas à própria base do BGTG, criado em 1962 e já comandado por nomes icônicos, como George Balanchine. Um traço que sempre distinguiu o Genève é a presença de diversas nacionalidades em seu corpo de baile. Hoje, são dançarinos de 12 países. Uma das coreografias encenadas nessa brevíssima temporada paulistana, acena Casarin, explora justamente esse aspecto dos genebrinos.

Sob medida. Carro-chefe desta turnê do grupo pelo País, Loin é a única das coreografias concebida sob encomenda para a companhia. "Ela explora características nossas", pontua o assistente de direção. Criada pelo belga Sidi Larbi Cherkaoui, a peça tenta deter-se sobre a questão das diferenças e da igualdade entre os homens.

A música delicada e vigorosa de Heirich Ignaz Franz Biber pontua os movimentos do elenco, que começa dançando quase na penumbra e concentra-se na expressividade de braços e mãos. Loin também carrega no tom teatral e traz os bailarinos entoando cantos e breves falas em romeno, chinês, português e francês.

 

Um toque étnico desponta em Blackbird, coreografia que o aclamado Jirí Kylián criou a partir de músicas tradicionais da Geórgia. O trabalho perscruta questões existenciais, como "quem somos?" ou "de onde viemos?". E, nos corpos dos bailarinos do BGTG, ganha conotação de mais uma investigação sobre o encontro de culturas. Nome central na dança contemporânea, Kylián nos coloca diante de um duo, impregnado de aura enigmática, sem impor uma leitura única.

Examinado o programa, nota-se a presença de certa noção de espiritualidade a atravessar as quatro peças. Não é diferente em Dov’é la Luna, ainda que a criação de Jean-Christophe Maillot esteja contaminada por um tom dissonante. Pensada como uma missa solene, essa coreografia com música de Prokofiev é uma peça monocromática, pincelada de claros e escuros, na qual sobressai um acento neoclássico.

BALLET DU GRAND THÉÂTRE DE GENÈVE - Teatro Alfa (Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, tel. 5693-4000). Sábado, 21h; domingo, 18h. R$ 40/ R$ 120

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